O motorista comum, aquele que dirige de um lado para o outro da cidade, não imagina quantos erros pode estar cometendo e nem como pode estar arriscando a própria vida ao andar de carro, quando, por exemplo, não arruma o cinto de segurança na posição correta ou quando reclina demais o banco. Em função disso, tem crescido o número de cursos que ensinam as pessoas a terem uma direção defensiva. E o que é bom é que os motoristas estão buscando essas informações.
Diferente do que muitas pessoas pensam, os cursos não ensinam apenas a fugir de assaltos e emboscadas, ou a cantar os pneus rodopiando o carro. Nas aulas se aprende, principalmente, a melhor maneira de controlar o carro e de usar os equipamentos de segurança.
O curso de direção defensiva, ministrado pelas principais montadoras de automóveis, como a Volvo, a BMW e a Fiat, por exemplo, mostra ao aluno a maneira certa de segurar no volante, o jeito correto de prender o cinto de segurança, a distância ideal do banco e a posição certa delas, além de ensinar técnicas de direção sob chuva, derrapagens, contornos de curva, em situações de estresse, até como reagir se uma criança atravessar repentinamente na frente do carro.
Além de atrair pela importância da direção defensiva, o curso atrai também as pessoas que gostam de automobilismo e emoção. As aulas não simulam corridas, mas para quem gosta de velocidade, os exercícios que imitam situações em que exige-se frear bruscamente em alta velocidade, desviar cones, dar marcha a ré só com o auxílio dos espelhos retrovisores são uma boa pedida.
O engenheiro civil Marcelo Pussoli, de 27 anos, participou, na última segunda-feira, do curso ministrado pela Volvo Cars Driving Academy, no Autódromo Internacional de Curitiba, em Pinhais, na região metropolitana da Capital.
Em quatro horas, –tempo de duração do curso–, o engenheiro recebeu informações de segurança e dirigiu um Volvo, simulando situações nas quais é necessário frear rápido, desviar de objetos e dar a marcha a ré utilizando apenas os espelhos retrovisores.
Pussoli conta que sempre gostou de carros e que está constantemente ligado nas novidades que são lançadas, mas que não foi só a paixão que o levou a fazer o curso, mas a vontade de aprender a dirigir da maneira certa. ‘‘Dirigia de forma agressiva e, fazendo esse curso, vi que estava cometendo erros. Aprendi como andar corretamente. E melhor, aprendi com quem é especialista em segurança’’, diz, se referindo à Volvo, que é considerada a montadora que produz os carros mais seguros do mundo.
Layre De La Torre, de 23 anos, engenheiro civil amigo de Pussoli, conta que os dois decidiram fazer o curso juntos e que da mesma forma que o colega, ele também gosta de carros, mas que esse não foi o motivo principal que o levou ao Autódromo. ‘‘Queria aprender a dirigir corretamente. Aqui estou vendo quanta coisa fazia errado quando estava dirigindo.’’
Torre diz que entre os erros que comete no trânsito está o de dar a marcha a ré olhando paras trás, com uma mão no volante e com a outra apoiada no banco do passageiro, o que, segundo os instrutores, pode deixar o carro mais difícil de controlar. ‘‘O curso ensinou muitas coisas , mas o que mais percebi que fazia de errado e que agora não vou mais fazer é dar a ré virando o pescoço. Aprendi que o certo é olhar no retrovisor.’’
As irmãs Gisele e Viviane Martins Cerizza, de 22 e 19 anos, contam que o motivo que as levou às aulas foi uma batida de carro, justamente no dia anterior ao curso. A indicação para o aprendizado foi do próprio pai delas, que já sabia do curso. ‘‘Viemos aprender direção defensiva. Como fazer uma curva, que atitude tomar em cada situação’’, explica Viviane.
Gisele diz que a atitude que tomou no momento da batida foi a correta –como chovia muito, ela não freou e parou de acelerar–, mas que indepependente disso, o curso vai lhe ajudar nas outras coisas que faz errado. ‘‘Vou passar a dirigir mais corretamente’’, explica.

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