Após 22 anos, Santana sai de linha
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sábado, 29 de abril de 2006
Mauricio Della Barba 
O peso da idade pode ser muito mais cruel com os automóveis do que com os homens. Com apenas vinte e dois anos de existência, mesmo para um carro de sucesso, como Santana, o tempo pesa - e demais. Que o diga Fusca, Brasília, Chevette, Corcel e Belina, que já passaram por esta fase derradeira.
Agora, é a vez do Santana. O velho e bom sedã, que marcou o segmento de luxo nos anos 80 e 90 no Brasil, deixará de ser fabricado no final do próximo mês. Foram 22 anos de uma história vitoriosa, obtida graças a um generos espaço interno, um desempenho acima da média e uma resistência invejável.
''Será uma burrice acabar com este carro. Não tem outro igual a este'', reclama Dalmonir M. Martins, taxista que já está no seu quarto Santana. ''Este aqui é 2006, mas comprei o meu primeiro em 1994. Nunca tive problemas con nenhum deles'', glorifica.
Martins conta que, no trabalho, o Santana tem muita aceitação. ''Pode ter 10 carros e um Santana no ponto. O cliente que já conhece o conforto pega o Santana'', diz. Nas ruas, além da fama de confortável e espaçoso, o Santana também é conhecido como econômico e bom de revenda. ''É difícil encontrar o modelo, nas versões mais novas, à venda'', explica Martins.
O motor 1.8 de 103 cv, movido à álcool é outro bom motivo de elogios. ''O meu faz uma média de 7 km/l na cidade. É muito melhor que um carro desses novos, tipo flex'', diz Jaime Correia, outro taxista proprietário de um Santana 2004. Com três anos em suas mãos e mais de 80 mil km rodados, o Santana 1.8 só recebe elogios. ''É uma pena, realmente'', lamenta Correia.
Vendas baixas - Desde junho de 1984, quando foi lançado, saíram da fábrica da Volks em São Bernado do Campo, mais de meio milhão de Santana. É uma façanha em se tratando de indústria automobilística. Daquele distante maio de 1984, quando o sedã de luxo da Volks foi apresentado, apenas a Kombi e a família Gol continuam em produção até hoje.
O fim do sedã foi decretado pelo baixo número de vendas, há quatro anos seguidos. Em 2002, foram 19.567 unidades, número razoável para um vetusto sedã. Em 2005, foram apenas 4.695 carros. Produzi-lo já não vale a pena.
Nesse últimos dias de vida que restam, a Volks deverá fazer um estoque de Santana que seja suficiente para durar até o fim do ano e atender aos fãs e aos motoristas de táxi, que encontravam no velho guerreiro o melhor para o seu trabalho: espaço, conforto e preço baixo.
Depois, a solução será oferecer uma versão mais em conta do Polo Sedan 1.6. Não terá o mesmo espaço do Santana, mas contará com conforto e motor 'triflex' (álcool, gasolina, GNV).
O preço também promete ser atraente. Hoje, para particulares, tanto o Santana 1.8 quanto o Polo Sedan 1.6 têm valores de tabela em torno de R$ 45 mil. Já para os taxistas, o Santana vem sendo vendido por R$ 36 mil, enquanto o Polo sairá por R$ 36.300.


