Apoio da família é fundamental
Curitiba - A psicóloga Salete Coelho Martins explica que os motoristas que procuram a clínica chegam com um grande sentimento de inferioridade, baixa autoestima, tristes e com a sensação de que o problema não tem jeito.
Essas pessoas não sabem de onde vem o medo. Ele vem da educação que tiveram: rígida, exigente, de não poder errar. Muitas vezes não conseguem tirar carteira de habilitação porque se deparam com o avaliador e se sentem ameaçadas, explica.
As pessoas perfeccionistas precisam ter um entendimento bem claro das coisas. Nas autoescolas, o instrutor não é preparado para explicar o que está acontecendo. Não adianta apenas ensinar os comandos; a pessoa precisa sentir e entender, relata a psicóloga. Esses motoristas se preocupam muito com o que as outras pessoas no trânsito estão pensando. Generalizam que todos estão com pressa e vão xingar. Não se sentem parte do trânsito. Mas cada um tem seu ritmo, seu jeito.
Dados da Organização Mundial de Saúde (OMS) indicam que 6% dos condutores brasileiros têm medo de dirigir. Dos que sofrem com essa fobia, 90% são mulheres, afirma Salete. As mulheres só costumam buscar ajuda para enfrentar esse medo quando existe uma necessidade muito importante. Por exemplo, se o marido não pode dirigir mais, se ficam viúvas ou se precisam levar o filho para a escola. A psicóloga diz que o tratamento na clínica dura entre 60 e 70 dias. A princípio, o atendimento é no consultório. Depois, é feito no carro. O apoio da família é fundamental para a pessoa voltar a dirigir. Essas pessoas são alvo de piadas e isso machuca muito. Elas não entendem que têm um transtorno e sofrem caladas, explica Salete. (F.G.)





