O final de semana prolongado pelo feriadão de Corpus Christi está sendo de confraternização para um grupo que não perde a oportunidade de cair na estrada. Em uma chácara na Zona Sul de Londrina, cerca de 30 famílias que tem em comum a paixão por viajar a bordo de motorhomes estão reunidas até hoje, sob a batuta do grupo de estradeiros ''Pé Vermelho'', que organiza a festa. Trata-se de gente de várias regiões do Paraná, especialmente de Curitiba e Londrina.
O casal Clarice Vargas e Thiago Borges saiu da capital do Estado para prestigar o evento e encontrar os amigos de estrada. Uma viagem curta se comparada a tantas outras que eles já fizeram a bordo da ''casa motorizada''. ''Já viajamos até para Argentina de motorhome'', conta Clarice.
Ela e o marido sempre gostaram de acampar. Há 10 anos resolveram investir no veículo. ''É uma evolução comum de quem tem o motorhome. Geralmente você começa com a barraca, depois passa para o trailer e acaba comprando um motorhome'', afirma Borges.
O casal tem uma filha de 17 anos que cresceu viajando. ''É muito bom porque nesse estilo de vida você aprende a ter atitude frente aos problemas, como um pneu que fura, o carro que quebra. Além disso há um convivio social muito grande entre os colegas de camping'', declara a mulher.
Em meio a diversão da festa, Clarice, que é psicóloga e professora, precisou trabalhar, corrigiu provas. Mas dentro de um motorhome é como se ela estivesse na mesa da sala de casa. ''Aqui é tranquilo, estou em casa, o único problema é trabalhar e aguentar a tentação de participar da conversa com o pessoal ali fora'', brinca a psicóloga.
Entre os amigos da conversa de estradeiros, está o casal Antônio e Ivete Bonato. Eles têm, respectivamente, 64 e 58 anos. São uma exceção no perfil dos estradeiros: nunca foram muito de acampar. Mas há 7 anos, por influência de um cunhado de Antônio, resolveram vender o sobrado que tinham na praia para comprar o motorhome. De lá pra cá fizeram amigos de vários cantos do Brasil e de fora do País. ''A gente sempre viaja junto de outras famílias, geralmente vamos em cinco veículos'', conta a dona de casa.
Ela fez questão de mostrar o interior do motorhome, que é completo. Realmente dá para se afirmar que é uma casa sobre rodas, com direito a cozinha, sala de estar, quarto, banheiro, armários, televisão. ''Foi a melhor coisa que a gente já comprou'', afirma o contador Antônio Bonato.
Em meio às grandes máquinas que podem chegar até a 15 metros de comprimento, estava o pequeno motorhome do aposentado Wilson Palu. A Safari ano 1989 foi fabricada pela Volkswagem e adaptada à carroceria e motor de uma Kombi. Para quem bate os olhos no veículo pela primeira vez, Palu faz uma advertência. ''Não é uma Kombi, é uma Safari''.
Apesar do tamanho, não falta nada na Safari. ''Tem tudo o que preciso aqui, além de ser um carro que anda muito bem. Tem motor 1.6l e faz 7 km com um litro de gasolina'', explica Palu.
O estradeiro de 66 anos sempre gostou de acampar e há 5 anos resolveu investir na Safari. ''Sempre gostei muito de aventuras''. Ele e a esposa, Magali, também de 66 anos, agora planejam uma das suas maiores viagens. ''A gente quer passar um mês viajando pela América do Sul'', declara o aposentado.
O gosto pelas aventuras já foi passado para os descendentes. Gustavo Wilson, de 16 anos, é neto de Palu e sempre acompanha os avós nas viagens. ''É muito legal, a gente faz amigos, conhece pessoas e lugares diferentes'', afirma o adolescente.
Outro apaixonado por aventuras é o empresário que organizou a festa, Fernandes Vieira. Ele começou andar de motorhome em 2005 e todos os anos faz questão de abir as portas da chácara para os amigos de estrada. ''Eles vão chegando a hora que quiserem e podem ir embora quando quiserem também''.
Algo que para ele é uma característica do estilo de vida dos apaixonados pelas ''casas sobre rodas''. ''A varanda do motorhome é o quintal de casa. A gente aproveita a vida sem se preocupar com horário. Além disso, conhece todo tipo de gente, sem importar se é rico ou pobre'', conclui o empresário.

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