Na região do Jardim Quebec, bairro nobre de Londrina, o alfaiate Raymundo dos Santos Figueira ganhou popularidade entre os moradores nos últimos anos. Muitos podem não saber o seu nome, mas, com certeza, já o viram transitar pelas ruas a bordo de sua Lambretta modelo LI, 1968.
A motoneta italiana - cuja produção iniciou em 1946 em Lambratte, Milão - foi comprada de um amigo dele com apenas um ano de uso. ''Formei três filhos na faculdade usando a moto para levar e trazer encomendas de clientes'', conta o alfaiate, que adaptou uma cesta ao corpo do veículo para facilitar o trabalho.
Mas o que leva um senhor de 73 anos a preferir uma motocicleta antiga a um automóvel, já que é proprietário de um Corsa muito mais novo? ''Ela é mais econômica, faz 30 quilômetros por litro, e por ser menor é bem mais fácil de estacionar'', defende.
Depois de tanto tempo com a Lambretta, Figueira garante que já é seu próprio mecânico para resolver coisas simples. E dá até uma dica para quem quer ter um veículo desse. ''Tem que colocar gasolina e óleo, mas não é como hoje que as motocicletas têm compartimentos separados. Precisa-se misturar o óleo e a gasolina antes de ir ao tanque. Para seis litros de gasolina, meio de óleo'', esclarece o alfaiate.
Figueira demonstra extremo amor pela motoneta que já o levou, juntamente com a esposa, algumas vezes, para Maringá (Noroeste). Tamanha dedicação fará o diferente veículo perdurar na família. ''Meu neto de 7 anos sempre me pergunta se vou fazer alguma entrega de Lambretta. Se falo que vou de carro, ele desiste. Se falo que vou de Lambretta, ele monta nela rapidinho. Diz até que um dia será dele'', orgulha-se.
A paixão de Figueira, no entanto, não é algo solitário. A empresária fashion Andréia Ferreira também possui uma Lambretta, mas no modelo LD Luxo, ano 59. Ela explica que sempre gostou de objetos antigos e durante uma volta de carro a motoneta lhe chamou a atenção. ''A Lambretta estava lá parada e fui olhando pelo retrovisor enquanto me afastava. Decidi fazer o retorno e conseguir mais informações'', lembra ela.
Não demorou muito e a Lambretta que mescla um laranja claro com a cor branca foi parar na garagem de Andréia. Hoje a motoneta já foi usada como artigo de vitrine na loja dela e até em filmes.
Mas nem tudo são flores nesta relação. A empresária revela que precisou aprender alguns macetes e se adaptar às condições de seu veículo depois da compra. Antes de de dar a partida na motoneta, por exemplo, ela relata ser preciso abrir a torneira do tanque de gasolina e ligar o afogador. ''Toda a vez que desliga precisa lembrar de fechar o tanque. Se esquecer aberto enxarca a vela. Já precisei trocar a vela várias vezes.''
Andréia conta que se pudesse passearia mais a bordo de sua Lambretta, mas se queixa do trânsito em Londrina. De acordo com ela, a motocicleta é pouco estável e pesada, o que acaba facilitando uma queda.
A empresária diz, no entanto, que a motoneta é muito admirada nas ruas. ''Sempre que acontece algum problema aparece alguém disposto a ajudar. Acho que a Lambretta e eu chamamos a atenção'', brinca.

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