Aos 55 anos, Kombi ainda realiza sonhos
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sábado, 01 de setembro de 2012
Vinícius Fonseca <br> <br> Reportagem Local 
A Volkswagen comemora hoje os 55 anos ininterruptos de produção da Kombi no Brasil. Fabricado em São Bernardo do Campo desde 1957, o utilitário foi o primeiro modelo da Volks feito no País e de maior longevidade na história da indústria automotiva mundial, acumulando mais de 1,530 milhão de unidades produzidas desde seu lançamento até julho de 2012.
A maior prova do sucesso e da versatilidade do utilitário está na incontestável liderança no segmento de mercado em que atua: a Kombi nunca perdeu a liderança de sua categoria. No acumulado de janeiro a julho deste ano, a Kombi registrou 14.905 unidades emplacadas (detendo 39,4% do segmento), o que representa crescimento de mais de 4% em relação ao mesmo período de 2011.
A relação custo-benefício, durabilidade, facilidade de manutenção, robustez mecânica e economia são atributos que fizeram o modelo conquistar os consumidores e manter-se líder em vendas em seu segmento há mais de cinco décadas.
A identificação nacional com o simpático veículo pode ser notada nas ruas, mas algumas paixões merecem atenção especial. É o caso do amor do representante comercial aposentado José Foganholi Filho pela sua Kombi Luxo 1975. ''Kombi se encontra fácil por aí, mas uma no ano da minha e com a conservação que procuro manter acho difícil'', defende.
Tanto zelo pelo automóvel é justificado pela trajetória do proprietário. Há cerca de quatro décadas, em companhia do irmão, ele viveu grandes aventuras e alcançou conquistas graças a uma Kombi. ''Tínhamos uma Kombi 1972 e usávamos para ir à São Paulo. Trabalhava com a venda de peças. A Kombi carregava até mil quilos de mercadoria e mesmo com tanto peso ela nunca nos deixou na mão'', conta.
Foganholi Filho afirma que isso o marcou de tal forma que passou a alimentar o sonho de um dia comprar uma Kombi, de preferência uma da mesma época em que trabalhava com o irmão. Acabou por aparecer, há uns oito anos, uma Kombi verde e branca, ano 75, em Ponta Grossa . ''Levei cerca de três anos procurando até que encontrei essa. Inicialmente não queria verde, mas hoje estou acostumado com a cor e amo esse carro.''
Entre os itens de originalidade que o automóvel preserva estão os faróis dianteiros, as lanternas traseiras, o volante, as rodas aro 14 - que nos anos 70 costumavam ganhar a companhia de alargadores, só para ficarem mais aparentes - e claro, o câmbio quatro marchas.
Uma alteração significativa ocorreu no motor, hoje versão 1.6 e não 1.500. Tudo com uma explicação lógica. ''Sonho um dia levar toda a minha família de Kombi para a praia. Costumo brincar com meus filhos que depois que isso acontecer poderei morrer feliz. Troquei o motor para aumentar o rendimento na estrada e acredito que no final do ano realizarei mais esse sonho'', planeja.
Espaço para um grande número de parentes e também de malas o dono sabe que tem, afinal o tamanho interno sempre foi uma das grandes armas da Kombi para conquistar seus fãs. Característica que inclusive é traduzida no nome que descende do alemão Kombinationsfahrzeug, que quer dizer veículo combinado ou multi-uso (em tradução livre).
Um diferencial destacado pelo aposentado, no caso da ida à praia, é o bagageiro de teto que já guarda uma prancha de surf. ''Eu não vou cair com ela na água, mas os filhos e o genro, se quiserem, poderão fazer'', avisa.
Para quem tiver o interesse de comprar a Kombi, ele já antecipa, o amor é tanto que até seus descendentes não devem vender o veículo. ''Já deixei tudo acertado que um dos meus filhos ficará com a Kombi e minhas netas já amam esse carro.''
Fora de linha
Especulou-se recentemente que a Kombi poderia sair de linha em 2014 quando, pelas novas normas do Código Nacional de Trânsito (Contran), todos os veículos produzidos no País deverão sair de fábrica equipados com freios ABS e airbag. Procurada pela FOLHA, a Volksvagen Brasil informou que a Kombi continua a ser produzida normalmente e que não comenta sobre as estratégias futuras para seus modelos.



