Ao contrário dos automóveis, motos vendem mais em 98
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sábado, 11 de julho de 1998
Agência Estado 
Enquanto o mercado de veículos despenca, com queda de 23,3% nas vendas no primeiro semestre, o setor de motocicletas continua crescendo. De janeiro a junho foram vendidas 246.813 unidades, 34,2% a mais do que no mesmo período do ano passado. A previsão dos fabricantes é de encerrar o ano com a comercialização de 500 mil motos, quase 30% acima dos resultados de 97. A produção deverá crescer 24%, chegando a 530 mil unidades. As montadoras de automóveis, por outro lado, prevêem uma queda de 15% na produção deste ano.
O que vem movimentando o mercado de motos são os preços. Há 60 meses não há reajustes de tabelas para a maioria dos modelos. Os revendedores oferecem produtos com prestações mensais a partir de R$ 55, afirma Franklin de Mello Neto, gerente-executivo da Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas e Bicicletas (Abraciclo) .
Para o próximo ano, a previsão de Mello é de um novo aumento de 10% nas vendas de motos. Segundo ele, com a recente decisão do Conselho Nacional de Trânsito de liberar o uso de ciclomotores para maiores de 14 anos, o mercado deve ser ampliado. A liberalização dos prazos de consórcio também devem impulsionar as vendas. Atualmente, 48% dos negócios são por essa modalidade.
O setor tem nove fabricantes no País. Os seis maiores são associados à Abraciclo e respondem por 98% das vendas. No próximo ano uma nova montadora chega ao País, a Harley-Davidson, que construirá em Manaus sua primeira filial fora dos Estados Unidos.
Cerca de 90% das motocicletas vendidas no País têm até 200 cilindradas. Com o aumento das vendas, as empresas também começaram a produzir modelos de médio e grande porte. Mesmo assim, foram importadas no ano passado cerca de 17 mil motos desse segmento, o equivalente a 8% da produção nacional. A Abraciclo calcula que neste ano essa participação será mantida, mas a tendência é de redução das importações com o início da produção local.


