O presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), José Carlos Pinheiro Neto, confirmou segunda-feira passada que a entidade não vai apoiar um eventual programa de renovação de frota limitado aos modelos a álcool.
‘‘Não vejo como viabilizar essa proposta dentro da
Anfavea, já que não há interesse por parte da maioria das montadoras’’, afirmou Pinheiro Neto, em Fortaleza (CE), pouco depois de participar de uma reunião com o coordenador do Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz), Ednilton Gomes de Soarez, para tratar das regras na divisão do ICMS na venda direta de veículos entre Estados.
Na opinião de Pinheiro Neto, se há a intenção do governo
em adotar um programa para estimular a produção de carros a álcool, o plano deveria ser concretizado independentemente da renovação. ‘‘Se o governo quiser, formaliza a proposta e a montadora que tiver interesse em aderir, adere’’, observou.
Das quatro maiores fabricantes de veículos do País,
somente a Fiat e a Volkswagen produzem modelos a álcool. A General Motors e a Ford já anunciaram a intenção de retomar a fabricação de carros a álcool nos próximos meses. As vendas destes modelos são inferiores a mil unidades por mês.
O programa de renovação proposto pela Anfavea previa a
concessão de um bônus na troca de um carro com mais de 15 anos de uso por outro novo. O desconto seria de R$ 1,8 mil se a troca fosse por um modelo a gasolina e de cerca de R$ 3 mil para uma versão a álcool. Os governos federal e estaduais participariam com a redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) e do ICMS e as montadoras e revendas com descontos extras e custos da reciclagem.
O presidente da Volkswagen do Brasil, Hebert Demel, fez duras críticas ao programa automotivo brasileiro, em especial ao atraso na definição do programa de renovação de frota e no novo acordo do setor para o Mercosul.
Segundo Demel, a demora em definir as novas regras para o setor automotivo do Mercosul prejudicou as empresas dos dois países. ‘‘Não se pode admitir que um setor que detém 12% do PIB brasileiro fique tanto tempo sem saber as regras em que vai atuar’’, reclamou. O executivo não quis dizer se a culpa pelo atraso é do Brasil ou da Argentina. ‘‘Não cabe buscar culpados, mas o atraso foi ruim para todos’’, disse.

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