São Paulo - A Anfavea, associação dos fabricantes de veículos automotores no País, disponibiliza, em sua página na internet (www.anfavea.com.br), os índices de emissões de poluentes de automóveis, comerciais leves e caminhões de 15 marcas. Duas delas - Hyundai e Renault - ainda não divulgaram seus dados.
A medida é uma resposta à divulgação pelo Ministério do Meio Ambiente (MMA), há 10 dias, do ranking de emissões veiculares e da Nota Verde, que classifica os veículos de acordo com seu nível de emissões.
A iniciativa do ministério gerou polêmica entre representantes da indústria. Entre os argumentos contrários estavam o fato de o ranking do governo se basear em dados do ano passado e seguir critério diferente do usado na homologação dos veículos pelas fabricantes no próprio Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).
Os dados fornecidos pela Anfavea referem-se aos modelos comercializados este ano, já de acordo com a fase L5 do Programa de Controle de Poluição do Ar por Veículos Automotores (Proconve). Há mais coerência neles: versões de um modelo que têm o mesmo conjunto de motor e câmbio apresentam nível equivalente de emissões. No do MMA há diferenças - em alguns casos, para a mesma versão de um veículo.
O ranking da Anfavea também traz outro dado ausente no do ministério: as emissões de CO2 dos veículos quando rodando com álcool. Esse foi outro ponto gerador de reclamações, já que há vantagem para o combustível de origem vegetal. Além de, em grande parte dos modelos flexíveis, ser inferior às emissões com gasolina, a própria cana-de-açúcar absorve no processo de fotossíntese o gás causador do efeito estufa.
Assim como no ranking do ministério, ficaram de fora do elaborado pela Anfavea informações relativas a outros componentes, como material particulado e dióxido de enxofre, considerados mais importantes para se medir a poluição nos centros urbanos. O argumento é que as informações seguem o padrão determinado pelo governo no Proconve.
Na semana passada, a ''TV Estadão'' organizou debate com especialistas e pesquisadores sobre a Nota Verde. O ranking foi considerado incompleto. Francisco Nigro, professor da Escola Politécnica da USP e conselheiro do Instituto da Qualidade Automotiva, afirmou que o ranking mostra apenas ''um pedacinho'' da questão da poluição ambiental.
A Anfavea argumenta que os dados de emissões têm função informativa apenas e não recomenda sua utilização para comparação entre os veículos.

mockup