Anfavea prevê a redução de 10% nas vendas em 99
PUBLICAÇÃO
sábado, 24 de outubro de 1998
Agência Folha 
A recessão econômica esperada para o ano que vem deve atingir duramente a indústria automobilística. A venda de veículos em 99 pode ficar até 25% abaixo do resultado obtido em 97 e 10% inferior à previsão para 98. No ano passado, as empresas venderam 1,94 milhão de unidades no mercado interno, recorde do setor. No ano que vem, esse número pode cair para 1,45 milhão, meio milhão a menos do que em 97, foi o que disse José Carlos Pinheiro Neto, presidente da Anfavea, a associação das montadoras.
Esse é o cenário mais pessimista, explica. Dependendo da evolução da economia, as vendas podem chegar a 1,7 milhão. Para este ano, os números estão praticamente definidos. A indústria deve vender 1,6 milhão, 17,5% menos que em 97.
O mercado está parado, diz Pinheiro Neto, falando sobre as vendas de carros nas concessionárias este mês. Sem compradores, as montadoras estão concedendo férias coletivas e abrindo planos de demissões voluntárias para cortar a produção.
Fernando Tadeu Perez, vice-presidente de Recursos Humanos da Volkswagen, trabalha com cenário semelhante. Calcula que a produção de veículos será de 1,45 milhão em 99, 10% inferior à deste ano.
Se a previsão se confirmar, a indústria brasileira em 99 vai recuar a nível pouco superior ao de 1993 e perderá várias posições no ranking dos maiores países produtores. Em 97, o país foi o oitavo maior fabricante de veículos.
Em 99, o faturamento com as exportações deverá ser de US$ 5 bilhões, US$ 213 milhões mais que em 97, mas US$ 500 milhões abaixo do resultado esperado para 98.
O otimismo com as novas fábricas é o que ajuda na previsão. De acordo com Pinheiro Neto, os investimentos anunciados pela indústria automobilística até 2000 - cerca de US$ 20 bilhões - estão mantidos. A meta de fabricar 3 milhões de veículos por ano a partir de 2003 também não foi alterada pelo setor.


