Anfavea critica proposta de aumento dos impostos
PUBLICAÇÃO
sábado, 10 de outubro de 1998
Agência Estado 
A possibilidade de aumento da carga tributária sobre os veículos, uma das medidas em estudo dentro do pacote fiscal, foi duramente criticada pelo presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), José Carlos Pinheiro Neto. Quando o brasileiro compra um carro, ele já paga um para a revenda e outro para o governo, reclamou o representante das montadoras. Somos os campeões mundiais de impostos.
Segundo a Anfavea, a carga tributária sobre os veículos nacionais varia de 22% a 33%, conforme o modelo, considerando apenas os impostos diretos. Com o efeito em cascata na cadeia produtiva, o porcentual estaria próximo de 50%, segundo o presidente da Anfavea.
Os fabricantes não só condenam o aumento da carga tributária como estão tentando convencer o governo a manter o benefício fiscal concedido em agosto, quando o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) baixou de 13% para 8%. Na época os fabricantes se comprometeram a não fazer demissões até dezembro, a não ser no caso dos temporários e terceirizados ou dentro de planos de demissão voluntária incentivada. O prazo do acordo termina no final do ano e o IPI, por lei, deve voltar a 13%.
Segundo Pinheiro, a redução do IPI chegou a representar um incentivo ao crescimento das vendas nos primeiros meses, mas a crise do mercado anulou os efeitos da medida logo em seguida. Vamos insistir junto ao governo para que o benefício seja mantido no ano que vem, como forma de estimular a produção, afirmou Pinheiro.
Segundo ele, as montadoras estão recorrendo a férias coletivas e redução da produção dentro do mecanismo denominado banco de horas como forma de enfrentar a atual situação de crise do mercado.


