Andar na reserva prejudica funcionamento do motor
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sábado, 11 de maio de 2013
João Fortes<br> Reportagem Local 
Do jeito que estão os preços nos postos de combustíveis, manter o tanque cheio pode ser difícil para muitos consumidores. E não é preciso rodar muito para logo ver acender aquela luz que indica o nível baixo do tanque, a famosa reserva.
É verdade que quando esse nível de combustível é atingido ainda é possível percorrer uma distância considerável, entre 70 e 100 quilômetros, de acordo com o coordenador do curso técnico de Mecânica Automotiva do Senai de Londrina, Edison Bonifácio. Mesmo assim, a recomendação é que o motorista não ande tantos quilômetros com o carro e siga direto para um posto. "A pessoa acha que vai conseguir rodar mais 70 quilômetros, mas pode acabar rodando menos porque o consumo varia de acordo com vários fatores, entre eles, se o carro está abastecido com álcool ou gasolina, se é na cidade ou estrada ou a forma como o motorista dirige", explica.
A pane seca é a principal e mais conhecida consequência do esgotamento de combustível e pode ocorrer mesmo com um pouco do líquido no tanque. "No meio do tanque há um tubinho, chamado pescador, que serve para captar o combustível. Se você tem algo como um dedo de combustível e pega alguma subida muito longa ou algum outro tipo de inclinação, dependendo do tempo, o pescador não vai fazer o seu trabalho e o carro para", explica Bonifácio.
Pior então é quando o motorista insiste em guiar na reserva com frequência. O prejuízo pode ser maior, já que o combustível só chega ao motor graças a uma bomba que funciona a partir de um pequeno motor elétrico.
Além de dar a propulsão ao veículo, o combustível age de forma a refrigerar o motor da bomba. Mas se ele passa muito tempo seco, começa a aquecer e pode queimar. Mais uma vez o carro para de funcionar e é necessário mais do que apenas abastecê-lo para resolver o problema. "Ele vai gastar no mínimo uns R$ 150 para fazer o reparo da bomba, ou seja, trocar esse motor elétrico. Mas dependendo da situação, pode ser necessário trocar toda a bomba, o que já custa para cima de R$ 400", alerta.
Para evitar tais problemas só mesmo encarando os preços dos combustíveis e mantendo o tanque abastecido pelo menos até a metade, altura suficiente para manter a bomba refrigerada.
Contrário
Combustível demais também pode ser prejudicial para o carro. Ao ouvir o pedido de tanque cheio, alguns frentistas investem no chorinho e colocam um pouco a mais de combustível. Uma prática arriscada, segundo Bonifácio, e que pode prejudicar outro componente do veículo. "O tanque tem uma câmara de expansão do combustível com capacidade para cinco litros, que precisa ficar vazia. Se enchê-la, ao colocar a tampa, o combustível excedente acaba indo para o filtro de carvão, que tem o papel de pegar gotículas de combustível e levar ao motor. Se esse filtro encharcar, não funciona bem", explica.
Tanquinho
O pequeno reservatório de combustível que equipa a maioria dos veículos flex tem a função de garantir que, nos dias de frio e quando o carro está abastecido com etanol, a partida seja feita com gasolina, que não é influenciada por esse fator climático.
Bonifácio reforça que a chamada partida a frio só ocorre quando é necessário, por isso, se está frio e a intenção é abastecer com álcool, pode ser necessário esvaziar o tanquinho e reabastecê-lo novamente e, de preferência, com gasolina aditivada. "A gasolina comum já começa a se deteriorar em um mês e pode sujar o tanquinho. Já a gasolina aditivada leva cerca de três meses para se deteriorar", destaca Bonifácio.


