vDizem que algumas coisas na vida são inesquecíveis. A primeira professora, a primeira namorada, o primeiro beijo e tantas outras passagens. No universo do carro antigo essa máxima é verdadeira e os automóveis que dão início a uma coleção não só costumam permanecer muito tempo com seus donos, mas também são cuidados com carinho, ganhando quase aparência de novos.
O veterinário maringaense Ronaldo Mesti Poli leva a sério a responsabilidade de zelar por seu primeiro veículo antigo e há cerca de 16 anos é o detentor de uma caminhonete Chevrolet, ano 1941.
Embora procure demonstrar sua paixão pela caminhonete antiga a todo momento, Poli explica que só comprou o veículo quando já tinha 30 anos de idade. O motivo de tanta espera tem, segundo ele, duas razões principais. Primeiro, a necessidade de juntar dinheiro para investir no sonho. Segundo, encontrar um automóvel que lhe agradasse. "Quando vi a caminhonete ela precisava de alterações e senti que era a hora de comprar", conta.
Poli parece mesmo buscar a melhor performance para sua raridade, pois apesar de conservar a carroceria de 70 anos, a caminhonete passou por diversas modificações e se tornou um modelo Hot Rod de impor respeito. "Fiz as mudanças visando rodar com ela pelas estradas", justifica.
Ele revela que a mecanização utilizada hoje pela 1941 é a mesma da linha 2006 da F-250 e conta com motor a diesel eletrônico, de quatro cilindros e cinco marchas. Os freios, segundo o dono, também contam com o Anti-lock Braking System, o popular ABS. E as modernidades não param por aí: a caminhonete tem ainda direção hidráulica, vidros e bancos elétricos, conferindo conforto e segurança para motorista e passageiros.
Tantas alterações parecem funcionar bem. Pelo menos essa é a opinião do veterinário, que costuma levar a 1941 em encontros de carros antigos, alguns até mesmo em outros estados. Há planos, por exemplo, de participar da 22ª edição do Encontro Sulbrasileiro 2013, previsto para o mês de novembro, em Penha (SC).
Mesmo quem desconhece as mudanças realizadas se espanta com o veículo. Afinal, como não reparar em um Chevrolet de cor preta, com frisos tradicionais na dianteira e ainda uma composição interna na cor creme, conferindo um contraste sem igual à 1941.
Membro do Clube do Carro Antigo de Maringá (CCAM) desde a sua fundação, em 2004, Poli revela que seu carinho pela caminhonete é tanto que até deu um apelido especial para o veículo. "Meus amigos e familiares a conhecem como a amante. Toda vez que vou passear com a caminhonete é assim que me refiro a ela", comenta.
Um automóvel com tantos atributos desperta o interesse de muitos colecionadores, no entanto, Poli avisa que não há planos de se desfazer da caminhonete. Conforme ele, sua coleção ainda tem um Galaxy 1968, um Maverick 1976 e dois Opalas, 1971 e 1973, todos com a originalidade preservada. "Não restauro veículos para vender e minha intenção é ficar, principalmente com a caminhonete, o máximo de tempo possível."

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