O mercado de duas rodas não escapou da crise do setor automotivo. No primeiro semestre, as vendas de motocicletas retraíram 4,1% no varejo, em relação a 2013; no atacado, 12,2%; e a produção caiu 8,4%, com 70.332 unidades a menos que no ano anterior. No entanto, no mesmo período e nos três quesitos, o segmento de motos acima de 450 cilindradas (cm3) aparece na contramão, com números positivos.
De janeiro a junho, as vendas no varejo de motos de alta cilindrada cresceram 12,7%, passando de 24.042, em 2013, para 27.562 agora. As vendas no atacado aumentaram 11,5%, de 22.922 para 25.559, e a produção saltou 14,3%, totalizando 27.359 unidades. O Paraná acompanha o crescimento, com 2.443 unidades comercializadas no primeiro semestre contra 2.134 no mesmo período de 2013.
Com esses dados, a participação de mercado desse nicho no total de emplacamentos deve chegar a 4%, contra 2,4% em 2011. O diretor executivo da Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e Similares (Abraciclo), José Eduardo Gonçalves, acredita que o perfil dos clientes de motos mais potentes explique o bom desempenho no atual momento do mercado.
"Ao contrário do que acontece no segmento de baixa cilindrada, que representa 85% do mercado, a venda dos modelos premium é constituída, em grande parte, por compradores pertencentes às classes A e B, que têm mais facilidade para a comprovação de renda e obtenção de crédito, além de poderem pagar entradas de até 50% nos financiamentos", afirma.
Líder no mercado nacional de duas rodas, a Honda tem focado no segmento de altas cilindradas, com crescimento de 26% no primeiro semestre deste ano, em comparação ao mesmo período do ano passado. A Região Sul foi destaque, alcançando o patamar de 46%. "Para este ano, a nossa estratégia tem sido investir ainda mais na categoria. A meta é fechar 2014 com 42% de market share e chegar a 50% de participação até 2016", afirma o gerente comercial da Moto Honda, Alexandre Cury.
Entre os diferenciais da marca, o gerente aponta o amplo portfólio acima de 500 cm3 - com nove modelos nacionais e seis importados – e a ampla rede de assistência para serviços de manutenção e peças de reposição, com mais de 1300 concessionárias e pontos de vendas em todo o País. "As motocicletas de alta cilindrada possuem maior valor agregado e frequentemente são utilizadas para longas viagens. Desde 2011 contamos com a rede de concessionárias Dream, com equipe preparada para prestar atendimento diferenciado e exclusivo ao público aficionado por estes modelos", destaca Cury.

PREMIUM

A Harley-Davidson, especialista em motos com mais de 600 cm3, vê uma demanda reprimida no segmento premium. "Ele não representa nem 3% do mercado total, mas, pelos números de emplacamentos, vemos que é um mercado em expansão", declarou a marca por meio de sua assessoria. Presente no Brasil desde a década de 1990, quando houve uma abertura do mercado, a Harley montou sua primeira unidade industrial em Manaus – a primeira fora dos Estados Unidos. Em 2011, rompeu contrato com o importador e passou a controlar suas ações no País.
Atualmente, são montados aqui os vinte modelos do portfólio da marca, que começa com a 883R, a partir de R$ 32.900, e chega à Ultra-Limited, que pode custar até R$ 84.200.

PARANÁ

O Estado é considerado um mercado estratégico tanto para Harley-Davidson quanto para BMW Motorrad, duas grandes marcas de motocicletas premium. Apesar de não ter números específicos, a Harley afirma que o Estado, por ser um dos mais ricos do Brasil, certamente tem importância nesse segmento, que apresenta preços mais elevados. "Inclusive, Curitiba foi uma das primeiras cidades a receber uma concessionária da marca", declarou, por meio da assessoria. As regiões Sul e Sudeste representam o maior público da Harley.
Já a BMW Motorrad conta com três pontos de venda no Estado - em Londrina, Curitiba e Cascavel -, com opções de modelos a partir de R$ 29,8 mil até R$ 124,5 mil. No acumulado do ano, as vendas do braço de motocicletas da BMW cresceram 8%, acima do segmento em geral.

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