Até onde é capaz de ir a paixão de uma pessoa por um carro ou uma determinada marca? A Alfa Romeo, por exemplo, há quase uma década parou de atuar diretamente no Brasil, mas ainda hoje coleciona admiradores por aqui, muitos deles em Londrina.
Prova disso é o Clube do Alfa em atividade desde 2006. Hoje, a rede de amigos de mesmo gosto conta com oito membros e 12 veículos. Na região de Londrina, já foram catalogados pelos Alfisti - palavra italiana para apaixonados por Alfa - cerca de 80 automóveis da marca.
Na tentativa de encontrar algo que justifique tamanha paixão, a FOLHA ouviu alguns desses aficionados. Entre os itens apontados por eles como responsáveis pelo status da marca estão o luxo, o conforto e o design esportivo. ''A Alfa sempre foi uma marca pioneira em tecnologia. Os primeiros automóveis com cinco marchas e os com freios a disco nas quatro rodas foram Alfa, além de outras inovações'', aponta o empresário Fábio Melaré, proprietário de um Alfa 164 Super, ano 1995.
Melaré coleciona fatos marcantes relacionados à marca, um deles aconteceu em seu casamento. O enfeite do bolo, por exemplo, consistia em uma miniatura da Giulia, um dos mais famosos automóveis da linha. Parte da lua de mel foi propositalmente na Itália, terra mãe da fabricante que hoje pertence ao grupo Fiat. ''Chegando lá, loquei um automóvel, claro que da Alfa Romeo, e fui também no museu da marca. A esposa aceitou numa boa ter que me dividir com essa outra paixão'', brinca.
O empresário enaltece tanto a Alfa que possui uma distribuidora de auto-peças para que sempre que algum colecionador ou ele mesmo precisar de algo para seu veículo possa mandar importar. ''Nem procuro ganhar muito em cima da peça, faço mais pelo prazer de ver qualquer Alfa rodando'', afirma.
O dentista Georges Garcia faz questão de manter em sua garagem dois clássicos da linha: Alfa 145 e 156, ambas modelo Elegance, do ano de 99. ''Não sei porque resolvi comprar os carros. É pura paixão não dá para saber como nasce e nem se acaba'', diz.
Garcia destaca ainda que outro atrativo da marca foi o sucesso dela em corridas de velocidade. ''Existe todo um universo em torno da Alfa Romeo que a torna tão atraente quanto qualquer outra grande marca'', garante.
Outro fã inveterado da marca, o gerente comercial Antonio Nogueira engrossa o coro quanto à qualidade e elegância dos automóveis fabricados pela marca italiana. ''A Alfa não é só uma marca de carro, mas preza por valores de família, algo bem italiano e que procuro preservar também na minha vida pessoal'', alega, sem esconder a emoção. Ele é proprietário de uma 164 ano 95 e uma 166 ano 99. ''Meus dois carros têm tudo o que um carro fabricado atualmente tem. Essa inovação e estilo são marcas da Alfa'', completa.
Donos, não só de veículos, mas de uma coleção completa que inclui desde miniaturas, fotos, revistas e encartes de diferentes veículos Alfa, o trio é categórico ao afirmar que aguarda ansiosamente o dia em que a Fiat anunciará a volta do carros Alfa Romeo. Sentimento que Fábio Melaré procura descrever em poucas palavras. ''Será como se o time do coração de cada um aqui ganhasse um campeonato'', compara.

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