Álcool provoca maioria das mortes
Agência Estado
De São Paulo
Centenas de levantamentos, feitos em todo o mundo apontam a incompatibilidade entre bebida e o volante. Há cerca de dois anos, a Associação Brasileira dos Departamentos Estaduais de Trânsito (Abdetran) realizou uma pesquisa nas cidades de Curitiba, Salvador, Recife e Brasília. Foram colhidas informações entre mais de 1,1 mil vítimas de acidentes de trânsito internadas em hospitais, ou cujos corpos foram encaminhados para os Institutos Médico-Legais (IML).
No total, 61% dos acidentados tinham ingerido bebida alcoólica. Desses, 27,2% tinham uma quantidade de álcool no sangue superior à permitida pelo Código de Trânsito Brasileiro á mais de dois copos de cerveja, duas taças de vinho ou uma dose de bebida destilada (uísque, vodca, entre outros).
Pesquisa Um estudo realizado pela Unifesp, revelou que, de 2.004 jovens entrevistados, 74% duvidavam que as pessoas que se envolvem em infrações de trânsito motivadas por álcool realmente são punidas.
O estudo traz ainda uma série de dados sobre álcool e trânsito em vários países. Nos Estados Unidos, em 1996, mais de 14 mil pessoas morreram em acidentes de trânsito provocados pelo uso de álcool. Estima-se que, em termos econômicos, acidentes desse tipo tenham custado US$ 115 bilhões em 1990. Na Nova Zelândia, em 1987, o consumo de álcool causou cerca de 20% das mortes de pessoas com idade entre 15 e 34 anos, principalmente nas estradas.
Reflexos Não dá para beber e dirigir, conclui o presidente da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia, Luiz Carlos Sobania. Segundo o presidente da Associação Brasileira de Acidente e Medicina de Tráfego (Abramet), Fábio Racy, o motorista alcoolizado passa por duas etapas. A primeira é a da excitação, quando ele se sente o todo-poderoso, afirma. Depois vem a depressão, a sonolência e a diminuição dos reflexos. Segundo o coordenador da Unidade de Álcool e Drogas da Unifesp, Ronaldo Laranjeira, o motorista fica mais ousado depois de beber. Ele vê a placa, mas não a leva em consideração, explica. Ou simplesmente não vê o outro carro.





