Misturar álcool e gasolina em busca de economia pode gerar muito mais prejuízo no bolso do que se pensa. A prática, apelidada de ''rabo de galo'', que muitos motoristas andam fazendo na hora de abastecer o carro - originalmente feito para rodar apenas com gasolina - pode ser tão prejudicial ao veículo quanto a utilização de gasolina adulterada.
''Não há vantagem nenhuma, pelo contrário. A mistura de álcool na gasolina reduz drasticamente a vida útil do motor, além de uma perda considerável da potência'', explica Micke Manella Jamhour, da Injebrás, empresa especializada em injeção eletrônica de Londrina. A gasolina comum não contém água e possui 25% de álcool Anidro, que é um componente fundamental. No entanto, quando o motorista faz o ''rabo de galo'', ele mistura na gasolina álcool hidratado (que contém água). ''O sistema eletrônico entende que há uma mistura pobre (pouco combustível e muito oxigênio) o que provoca perda de potência e aumento de consumo'', diz Jamhour. Os primeiros sintomas de que o motor não ''aprovou'' a mistura de combustíveis é a queima das juntas do cabeçote e a diminuição de água no radiador. ''O entendimento errado do sistema eleva a temperatura interna, levando o motor a um superaquecimento'', conta o empresário da Injebrás.
Segundo o professor da Faculdade de Engenharia Mecânica da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Franco Guiseppe Dedini, a curto prazo o veículo com combustível inadequado apresenta sérios problemas mecânicos. ''Depois de um prazo de dois anos é que aparecem os principais problemas como corrosão dos componentes, piora na situação do motor e no sistema de combustão'', explica o professor. Franco acrescenta que o álcool, quando utilizado em veículos adaptados para a gasolina, acaba corroendo alguns sistemas e peças, tanto metálicas como de plástico. ''A primeira peça a estragar é a bomba de combustível. Depois são as borrachas de vedação'', lista Jamhour. Segundo Jamhour, a maioria dos motoristas que realizam a mistura de combsutíveis não percebe os malefícios. ''O problema só vai aparecer mais para a frente, depois de uns 5 mil km rodados'', diz.
''Os motores a álcool e a gasolina atuais são idênticos na sua estrutura física. O que muda é o sistema de injeção'', explica José Walter Tumiotto, da J.Tumiotto, outra empresa londrinense especializada no setor de injeção e carburação. De acordo com Tumiotto, a prática do rabo de galo é ''abominável'': ''Além de todo o desgaste interno que o motor sofre, as falhas do motor podem causar acidentes, justamente quando o motorista mais precisa do carro no trânsito'', salienta.

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