'Álcool molhado' prejudica carros flexfuel
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sábado, 13 de agosto de 2005
Agência Estado 
Rio A adulteração do álcool combustível já fez com que pelo menos 1,5% dos veículos com motores bicombustíveis, os chamados flexfuel, no País, voltassem para a concessionária com problemas no motor, informou o Sindicato Nacional das Distribuidoras de Combustíveis (Sindicom). Apesar de a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) não confirmar, o diretor do Sindicom, Dietmar Shupp afirma que o chamado ''álcool molhado'' causou problemas para aproximadamente 7 mil proprietários de veículos bicombustível.
O montante mobilizou toda a cadeia produtiva do álcool, de usineiros a representantes da indústria automobilística, passando pela Petrobras, Transpetro, distribuidoras de combustíveis, Ministério de Minas e Energia e principalmente a Agência Nacional do Petróleo (ANP), que pretende aprovar a adição de um corante no álcool anidro até o final do ano para coibir a fraude.
''Não acredito que possamos acabar com o problema, mas pelo menos reduzir a adulteração em pelo menos 70%'', afirmou a superintendente de qualidade do produto da ANP, Maria Antonieta Andrade Souza, que está realizando uma série de reuniões com o setor, visando resolver os empecilhos técnicos para a coloração do álcool.
A medida visa diferenciar o álcool anidro, que é misturado à gasolina, do hidratado, que vai direto para o tanque de combustível do veículo, acabando com a operação chamada ''álcool molhado''. A fraude ocorre porque o anidro tem tributação menor do que o hidratado. Assim, o adulterador compra álcool anidro direto da usina, adiciona água e vende como se fosse o hidratado.
O Sindicom estima que até um bilhão de litros de álcool, ou cerca de 20% do consumo anual deste combustível no Brasil, seja adulterado. Com a coloração, o consumidor poderá verificar no filtro existente sobre a bomba de combustível nos postos revendedores se o álcool hidratado está incolor como é previsto.
De acordo com o projeto, o corante mais provável adicionado ao anidro seria de cor alaranjada ou vermelha, para não influenciar na cor da gasolina à qual o álcool será misturado. ''A medida só trará benefícios. Os veículos terão menos problemas, os Estados arrecadarão mais impostos, as distribuidoras acabarão com a sonegação e os donos de postos não poderão mais ser alertados'', disse o diretor do Sindicom.


