Desde o início deste ano, todos os veículos comercializados no Brasil devem, obrigatoriamente, ter airbag duplo – exigência que veio acompanhada dos freios ABS. As bolsas de naylon com costuras resistentes à deflagração aumentam a segurança de motoristas e passageiros, mas, sozinhas, não garantem nada. Pelo contrário, podem até aumentar a gravidade dos ferimentos em caso de acidentes.
O especialista técnico do Centro de Experimentação e Segurança Viária (Cesvi), Alessandro Rubio, lembra que, em muitos casos, a localização das bolsas de airbag no veículo são identificadas com a sigla SRS, que significa "sistema de retenção suplementar"; a retenção principal fica por conta do velho conhecido cinto de segurança. Rubio explica que em uma colisão a 50 km/h qualquer objeto multiplica seu peso entre 20 e 30 vezes. Imagine, portanto, as graves consequências do choque de um corpo com o para-brisas do veículo – ou com a bolsa de airbag.
"Importante ressaltar que todos os fabricantes de veículos recomendam o uso conjunto com o cinto para proteção de todos os passageiros", lembra Rubio. Segundo o técnico, os passageiros do banco traseiro devem ser ainda mais rigorosos com o uso do cinto. "Quando está sem cinto ele é projetado para a frente do carro e pressiona os passageiros da frente contra o cinto e o airbag; além deles se ferirem, podem agravar o ferimento dos outros", alerta.
O chamado airbag duplo contempla motorista e passageiro da frente, evitando que eles batam no painel e no vidro dianteiros. Hoje, quase todas as marcas já oferecem airbags laterais e tipo cortina como opcionais. Os laterais impedem o choque com as colunas do veículo e os de cortina evitam que a pessoa bata nos vidros laterais. Até mesmo os pedestres já ganharam seu próprio airbag, inovação lançada recentemente pela Volvo e ainda restrita à marca por preços bem salgados.
Para Rubio, a obrigatoriedade de airbag duplo é um avanço significativo na legislação brasileira, uma vez que o Cesvi defende a segurança viária em três pilares: via, condutor e veículo. "Esses três têm que ser muito bem desenvolvidos e o airbag e o ABS vieram contribuir para o terceiro item", expõe. Na opinião do técnico, os próprios clientes tendem a aumentar suas exigências e levar as montadoras a investirem mais em segurança.
"Os ocupantes, vendo as melhorias nos veículos, tendem a se informar e exigir mais equipamentos de segurança; na Europa já acontece isso", afirma.

POSIÇÃO

Os passageiros também devem estar atentos ao posicionamento dentro do veículo. Isso porque o airbag infla a uma velocidade de 300 km/h e, caso o ocupante esteja mal posicionado, o impacto pode causar ferimentos ao invés de proteger. "Os passageiros devem encostar no airbag quando ele já estiver murchando, por isso, não podem estar muito próximos do painel ou volante para não se machucarem, e também nem tão distantes porque o cinto vai reter, travar e provocar o efeito 'chicote'", explica Rubio.
O recomendado é que o tórax do motorista não fique a menos de 25 centímetros de distância do volante e que o passageiro esteja pelo menos 40 centímetros distante do painel. Outras posições confortáveis também são perigosas, como colocar as pernas em cima do painel. Nesse caso, a bolsa do airbag irá inflar de qualquer forma, mas pode, até mesmo, quebrar a perna do passageiro. "O posicionamento ideal é o banco reto, não muito deitado, em que o cinto de segurança apoie sobre o ombro", finaliza Rubio.

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