Em 1973, um modelo do Toronado, carro da extinta Oldsmobile, foi o primeiro a contar com um airbag. A experiência não avançou na época, sendo retomada apenas sete anos depois pela Mercedes Benz. Passados 41 anos, o item tornou-se tão comum – e importante – que é agora obrigatório em todos os veículos fabricados no Brasil.
Pesquisas mostram uma redução de até 52% na gravidade de ferimentos em acidentes quando os ocupantes contam com a proteção conjunta de cinto de segurança e airbag. De acordo com o clínico geral e médico plantonista das equipes de emergência do Siate Vinicius Filipak, o item minimiza lesões que poderiam ser graves. "Quando você atende uma colisão frontal entre dois veículos e em um deles há airbags, os ferimentos dos passageiros deste veículo tendem a ser menores", avalia.
No entanto, uma advertência nos manuais dos veículos passa quase despercebida pela maioria dos motoristas. Ela alerta sobre a possibilidade do equipamento ser desativado em situações em que o passageiro esteja em situação de risco. Mas quais seriam esses casos?
De acordo com o inspetor da Polícia Rodoviária Federal Wilson Martinez, são ocorrências bastante pontuais. "Há modelos de veículos em que ele é desativado automaticamente, quando o cinto de segurança é travado e não há peso no encosto do banco. É o caso, por exemplo, de um bebê-conforto colocado no banco do passageiro. Como ele precisa ser colocado com a criança voltada para trás, o acionamento do dispositivo em uma colisão pode causar um esmagamento. Portanto, o airbag pode ser desativado", explica.
Outra situação é no transporte de uma pessoa com queimaduras. "Um paciente que está se recuperando de queimaduras sérias, em todo o corpo, pode ter mais malefícios caso o airbag seja acionado do que o contrário. Então é outra situação possível", avalia. Grávidas em fase final de gestação também podem entrar na lista, mas com ressalvas. "Não acho recomendável, mas depende de uma indicação médica."
E o airbag só pode ser desativado no banco do passageiro, nunca no do motorista. Na maioria dos carros, isso é feito com a chave de ignição, girando uma fechadura geralmente no batente da porta direita. Outros modelos mais modernos – e caros – fazem isso automaticamente, com sensores de presença no banco.
Segundo o inspetor, a consulta do manual do veículo pelo proprietário é a melhor opção, já que cada modelo possui um sistema diferente. E, em todos os casos, nunca esqueça que o cinto de segurança é indispensável. "Ele jamais deve ser deixado de lado", complementa Martinez.

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