Air bag não substitui cinto de segurança
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sábado, 12 de junho de 2010
Mie Francine Chiba<br> Reportagem Local 
O prazo para que seja obrigatório o air bag frontal em todos os veículos de transporte de passageiros com até nove lugares e transporte de cargas com peso máximo de 3,5 toneladas é de quatro anos, estabelecido pelo Conselho Nacional de Trânsito (Contran). No entanto, a importância desse recurso de segurança nos carros tem sido continuamente reforçada.
Estudos do Centro de Experimentação e Segurança Viária (Cesvi Brasil), mostram que o uso air bag poderia contribuir para manter a vida de aproximadamente 490 pessoas, cerca de 1,4% das 35 mil que morrem por ano, e evitar ferimentos em mais de 10 mil, considerando os condutores de automóveis e caminhonetas.
Essa redução no número de mortos e feridos proporcionaria um impacto econômico positivo de cerca de R$ 315 milhões por ano. O trabalho ainda chegou à conclusão de que seria possível reduzir 1,6 mil mortes por ano, se a taxa de adesão do cinto de segurança aumentasse em 10%.
Nesse contexto, o centro de pesquisa reforça o caráter complementar do air bag, já que ainda é recorrente a ideia de que o equipamento pode substituir o uso do cinto de segurança. O gerente técnico do Cesvi, Marcus Romaro, salienta que a bolsa de ar foi projetada com a premissa de que os ocupantes do carro também estejam usando o cinto de segurança, que ainda é o principal equipamento de segurança do carro.
O air bag é acionado somente nas situações em que o cinto de segurança não é suficiente para garantir a proteção dos ocupantes do veículo, como em impactos frontais de alta intensidade. Nessas situações, é comum ocorrerem deformações estruturais de grande porte que podem aumentar os riscos de impactos no interior do veículo. Com isso, faz-se necessária a máxima proteção possível com o uso conjunto de cinto de segurança, pré-tensionador e air bag. ''Em 90% dos casos, o cinto de segurança é suficiente para a proteção dos ocupantes do carro. O air bag está lá para minimizar as lesões de graves ou fatais para médias ou leves'', explica Romaro.
No momento do impacto, o cinto de segurança direciona o corpo do ocupante do veículo à bolsa de ar e evita que ele chegue ao air bag antes de estar totalmente inflado. ''O air bag infla com 60 litros de ar em 30 milésimos de segundo. É uma explosão controlada. Se o motorista ou passageiro chegar com ele inflando pode ter uma lesão séria'', alerta ele.
A bolsa de ar também não garante a segurança de crianças, alerta o centro de pesquisa. Portanto, os pequenos devem continuar sendo transportadas no banco traseiro do veículo em cadeira especial, conforme estabelecido por lei. O cinto de segurança adulto somente protege crianças com mais de quatro anos de idade com peso próximo aos 20 quilos.
Cuidados
Para manter o bom funcionamento do sistema de air bag, não há nenhum tipo de manutenção recomendada. Conforme o técnico, deve-se apenas ficar atento à luz indicativa do equipamento no painel do carro. ''Se acender durante a rodagem ou se não apagar logo que o carro é ligado, o motorista deve procurar a concessionária'', diz. Quanto a possíveis reparos ou alterações no veículo, é preciso cuidar para que nada impeça ou dificulte a saída da bolsa de ar, nem interfira no sistema elétrico em que o equipamento está ligado.
De acordo com Romaro, ainda não existe nenhuma estimativa quanto ao número de veículos já equipados com o air bag no Brasil. O último levantamento feito pelo Centro, em 2007, indicou que 4% a 4,7% da frota nacional já contava com o equipamento, enquanto em 2008, uma montadora revelou que 25% dos seus veículos estavam sendo vendidos com o equipamento. Desses, 62% eram de porte médio completos, 20% picapes e 18% veículos populares.


