Agricultura reflete no mercado de caminhões
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sábado, 15 de março de 2014
Marcos Martins<br>Especial para a FOLHA 
Com as vendas desse início de ano repetindo o mesmo desempenho em igual período de 2013, o mercado de caminhões seminovos esbarra na dificuldade de financiamento. As taxas de juros mais vantajosas para os modelos zero quilômetro, oferecidas pelos bancos, afetam o setor, que projeta um 2014 semelhante ao balanço não tão empolgante do ano passado.
Segundo o revendedor autônomo Francisco Carlos Pilau, os últimos quatro anos foram de altos e baixos, mas a chegada da nova safra de grãos pode aquecer as vendas. "É sempre um período importante, quando o cliente necessita de um caminhão para rodar com urgência e também mais barato, que caiba no bolso dele", avalia.
De acordo com Pilau, um modelo 2012 pode custar até 35% menos do que um zero quilômetro. "Quando o veículo está em boas condições, bem conservado, é mais fácil negociar e vantajoso para quem compra, além de quem vende conseguir um preço melhor", argumenta. Modelos Scania e Volvo são hoje os mais vendidos no segmento de seminovos, mas o principal fator na hora da escolha é o estado de conservação do veículo. "O comprador é muito mais criterioso, já que o custo de manutenção de um caminhão é geralmente alto", comenta o coordenador de vendas da NaviTrucks, Josuel Filho.
Na loja, o crédito restrito também atrapalha os negócios. "No CDC, que é a linha mais utilizada pelos compradores, os bancos cobram, em média, 1,5% de juros ao mês e ainda exigem de 30% a 40% do valor do veículo como entrada, o que inviabiliza muitas vendas", analisa Filho.
O Finame, programa do BNDES, oferece taxas de 0,5% para modelos zero quilômetro, que torna o negócio mais vantajoso para o cliente. "A maior parte dos negócios hoje é na base da troca, então você precisa absorver frotas antigas para consumar as vendas", explica.
Para o restante do ano, quem trabalha no mercado aposta em mudanças nas linhas de crédito que possam aquecer o setor. "Estamos esperando essa movimentação já há algum tempo, talvez ocorra este ano", aguarda Filho.
"É uma aposta, apesar de ser um ano bastante atípico, com Copa do Mundo e eleições presidenciais. A Copa centralizou muitos investimentos das linhas de crédito e as eleições costumam deixar o mercado retraído, mas apesar de todos os elementos a expectativa é boa", resume Pilau.


