A montadora brasileira Agrale vai entrar no mercado de scooters (motonetas). A empresa aposta que as lambretas, famosas nos anos 50, podem reconquistar os brasileiros. Por isso, fez um acordo com a italiana Cagiva para começar a fabricar as scooters da marca na fábrica em Manaus.
Os novos veículos serão apresentados no Brasil Motor Show, feira que será realizada entre os dias 10 e 19 de outubro no parque Anhembi, em São Paulo. Segundo o diretor superintendente da Agrale, Hugo Zattera, a empresa pretende produzir entre 3 mil e 4 mil unidades por ano.
As scooters são lambretas com motorização de baixa cilindrada -entre 50 e 90 cc. Segundo Zattera, este tipo de veículo começou a reconquistar o mercado mundial nos últimos quatro anos. O executivo espera que no Brasil as scooters sejam compradas por jovens, consumidores que querem fugir do trânsito e até pessoas da terceira idade, que têm receio de dirigir motocicletas com motores de alta cilindrada.
Outra faixa de consumidores que deve ser abordada pelos vendedores de scooters são os motoristas de São Paulo, que precisam deixar o carro em casa nos dias de rodízio. As scooters da Agrale deverão custar entre R$ 3 mil e R$ 4 mil. Zattera estima que o mercado brasileiro hoje pode absorver pelo menos 20 mil scooters por ano.
Parcerias com empresas estrangeiras foi a fórmula encontrada pela Agrale para melhorar o faturamento e modernizar seus produtos. A empresa ainda se ressente da crise no mercado de máquinas agrícolas, no qual mais atuava.
A Agrale se instalou no Brasil para produzir sozinha tratores, motores a diesel, caminhões e motocicletas. ‘‘Este era um figurino perfeito para a época anterior à abertura’’, destaca Zattera. Mas a crise agrícola e a abertura econômica levaram a empresa a amargar perdas.
Agora, o grupo, sediado em Caxias, Rio Grande do Sul, começa a registrar recuperação. O faturamento deste ano deverá somar R$ 60 milhões, 27,6% mais do que o de 1996, que totalizou R$ 47 milhões.
Por meio da nova estratégia, a Agrale fez uma aliança com a argentina Agco para fabricar tratores e com a americana Navistar para produzir caminhões. Num acordo que envolve investimentos de US$ 200 milhões, a Navistar vai utilizar uma das fábricas da Agrale que foi fechada, em Caxias, para produzir caminhões médios e pesados.
A nova fábrica começará a operar no próximo ano e terá capacidade para montar 5 mil veículos no primeiro ano de atividade. A fabricação de ônibus também está nos planos da empresa.

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