Adrenalina sobre rodas
PUBLICAÇÃO
sábado, 07 de abril de 2012
Vinícius Fonseca <br> <br> Reportagem Local 
Um Gol ano 85 e um Voyage 86. À primeira vista, dois carros comuns e com algum tempo de estrada - fator que, sem dúvida, os desvalorizaria, mas não no mundo a que pertencem. No universo das arrancadas e rachas esses veículos, com o preparo adequado, podem proporcionar momentos de adrenalina sem igual para pilotos e espectadores.
Os mecânicos e pilotos Thiago José Pereira e Fabrício Narimatsu Foganholi - proprietários do Gol e do Voyage respectivamente - revelam que embora sejam carros de baixo custo, o valor investido em melhorias é elevado. ''Há investimentos que giram entre R$ 150 mil e R$ 200 mil, mas isso não é garantia de vitória (nas competições). Até por isso procuramos carros que inicialmente apresentam um valor de mercado reduzido'', explica Foganholi.
A incerteza do resultado ocorre, segundo o mecânico, devido à montagem do carro e também da performance do piloto. ''Às vezes as peças são boas, mas juntas não funcionam como o desejado ou ainda o automóvel é bom, mas o piloto não'', analisa.
Os profissionais dizem que para uma competição de arrancada o importante não é a velocidade final do automóvel, mas a rapidez com que ele consegue sair em disparada. Por isso são feitas adaptações no motor, embreagem, câmbio e também outras peças, como a suspensão.
Participantes da categoria turbo para carros com tração dianteira, os pilotos revelam um macete para o melhor resultado. Uma placa com cerca de 100 a 120 quilos de chumbo é colocada entre os faróis e os para-lamas para que o veículo fique bem preso ao chão, auxiliando na disparada.
No mundo das arrancadas existem diversas categorias, com as Turbo A, B e C, Força Livre e Aspirado, entre outras. ''São pelo menos 16 categorias e cada uma delas exige do veículo um preparo diferente'', esclarece Foganholi, que tem mais de 15 anos como piloto.
Já nos rachas a ideia é que a competição seja ''todos contra todos'', não havendo discriminação entre os veículos. O público para esses eventos é grande, segundo os pilotos. Não à toa foram produzidos filmes como a sequência ''Velozes e Furiosos'' e jogos para computador e videogame como a série ''Need For Speed'', entre outros.
Apesar de o cenário promissor, eles apontam para uma triste constatação. Falta apoio para transformar a modalidade em um esporte reconhecido, principalmente em Londrina. ''Muito dinheiro é investido na montagem dos carros, mas nem sempre temos lugar para correr. Dificilmente o autódromo é liberado para uma competição e muitos pilotos acabam usando as ruas para testar seus carros. Isso não é legal, é arriscado, por isso precisamos de apoio e um espaço para organizar competições'', desabafa Pereira, que tem pouco mais de um ano como piloto. ''Queremos fazer tudo dentro da lei, com ambulância e segurança, como nos grandes eventos. Queremos também que essas competições ocorram com mais regularidade'', diz. (Leia mais nesta edição)


