Adrenalina e aventura com 'ar de sofisticação'
PUBLICAÇÃO
sábado, 17 de abril de 2010
Renato Oliveira<br> Reportagem Local 
O agricultor Glaucio Bley, de 48 anos, subiu pela primeira numa vez moto BMW há 20 anos. Só não foi paixão à primeira vista porque já admirava a marca alemã desde a infância. Na primeira oportunidade, adquiriu o modelo GS Big Trail - feita para percorrer estradas de chão. Foram quatro motos quase idênticas até chegar na sofisticada e confortável BMW GT, com motor quatro cilindros, mais esportiva e ideal para viajar com a esposa Karina na garupa para os tradicionais encontros de motoqueiros.
A última parada da família Bley foi no Aguativa Golf Resort, localizado em Cornélio Procópio, no último final de semana. Organizado pelo grupo ''Amigos da BMW'', mais de cem potentes máquinas passaram pelo recinto vindas de São Paulo, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e do Paraná.
O agricultor paranaense acredita que uma viagem desse tipo não seria a mesma coisa se fosse de carro. ''Perde a graça'', respondeu sem titubear. Além da sensação de liberdade que andar sobre duas rodas proporciona, os modelos BMW raramente apresentam problemas. Ele já foi até o Atacama, recentemente visitou o Uruguai e gasta apenas com troca de pneus e óleo. ''Ela não sabe o que é dar problema'', elogia Bley, cuja motocicleta custa cerca de R$ 80 mil.
O empresário Ênio Dallalio Neto tem a paixão por motos no DNA. O pai e os tios colecionavam relíquias e passou a infância vendo os mais velhos restaurarem antiguidades. Daquela época, o maringaense herdou a paixão por motos com ''cilindros opostos''. ''Eram bem diferentes por causa do barulho do motor'', resumiu o frequentador do grupo Amigos da BMW há dois anos.
Depois de passar anos procurando, Dallalio foi presenteado pelo destino com uma R 1100 - RS de quatro cilindros opostos. Ele afirma que no Brasil existem apenas dois exemplares. ''Há dois anos, encontrei uma foto dela na internet e liguei. Quando vi a moto foi paixão a primeira vista. Negociei e levei para casa'', completa.
Conhecedor da história da BMW, o empresário conta que inicialmente a indústria alemã era fabricante de motores para aeronaves. ''Inclusive, o símbolo lembra uma hélice de avião girando. Quando alguma moto estraga e não tem conserto, o pessoal adora colocar esse tipo de motor em ultraleves'', exemplifica.
O preço de mercado da R 1100 pode chegar aos R$ 30 mil. Porém, como poucos possuem uma igual - que agravado com o valor estimativo - faz Dallalio garantir que seu exemplar não tem preço. ''Moto para mim é liberdade. Quando subo nela, na primeira acelerada encho o peito de ar e o sangue circula. Fica tudo para trás. Me desligo e saro na hora dos problemas'', enfatiza.
Vindos de Bauru com as respectivas esposas na garupa, os empresários Edmir Barbosa e Eduardo Rachid Cury sempre viajam juntos para encontros e aventuras pelas estradas brasileiras. Ambos possuem uma GS 1200, que alia conforto e segurança. ''Como é uma moto alta e com suspensão reforçada, são ideais para as esburacadas estradas brasileiras'', brinca Cury.
Dentre os principais percursos, ambos elegem as curvilíneas estradas paranaenses, a orla catarinense e clima frio do Rio Grande do Sul como rotas preferidas. ''O Paraná possui boas curvas, que é detalhe marcante para quem anda de moto. Como as estradas daqui dão acesso para o Sul do país, estão sempre na rota dos motoqueiros'', analisa Barbosa.
Na hora de elencar a viagem mais marcante, Barbosa deixa tarefa para o colega Cury que se recorda de uma chuvosa visita ao Rio de Janeiro. ''Cruzei a Rio-Santos o dia todo com chuva. Quando deu oito horas da noite, estava meio perdido e com frio, quando de repente observei no meio das montanhas que as nuvens se abriram com o Cristo Redentor lá atrás, iluminado. Na hora me localizei e parecia até que ele dizia ''chegaram''. Foi muito legal'', arrematou.


