Para muitos motoristas, ligar o carro e dirigir até um destino qualquer é uma ação comum. Para outros, porém, a possibilidade de conduzir um veículo pode mudar a vida. É o caso de quem convive com alguma deficiência física. Para garantir a acessibilidade na hora de dirigir já existem diversos equipamentos de adaptação, que variam de acordo com a limitação de cada um.
Nerval Meralé, proprietário da Auto Mecânica Meralé, concessionária autorizada da Cavenaghi, explica que praticamente todos os carros podem ser adaptados. ''Os veículos carburados são mais difíceis. Fora isso, quase todos são passíveis de adaptação. Até hoje só não consegui fazer em uma F-1000 e em um Puma'', explica.
Os kits de adaptação levam em conta quais e quantos membros do corpo não estão aptos a realizar movimentos para dirigir. Quando o motorista não tem o movimento da perna direita, por exemplo, é feita a instalação de uma embreagem computadorizada (se o câmbio for manual) que transforma o câmbio em semiautomático. Aliado a isso, são feitas mudanças nos pedais, primeiro com a instalação de um pedal de embreagem removível para que seja utilizado o acelerador esquerdo. Esse equipamendo é colocado ao lado do freio, mas não anula o efeito do acelerador original - este item pode ser escamoteado para debaixo do painel quando não for utilizado.
Meralé explica que as adaptações são sempre feitas de maneira que o carro ainda possa ser dirigido por alguém sem limitações físicas. O tipo de adaptação é definida pelo Detran, durante o processo para tirar a carteira de habilitação. Meralé afirma que, dependendo do caso, o órgão abre uma exceção sobre a regra que exige que o motorista mantenha as duas mãos no volante. Isso faz-se necessário quando o condutor não tem o movimento das duas pernas e, através da adaptação, acelera e freia o veículo apenas com as mãos.
É assim que o funcionário público aposentado Cléber Arantes dirige seu Fiat Uno Mille, que conta com uma alavanca embaixo do volante. Quando puxada, essa alavanca faz o carro acelerar; e ao ser pressionada, aciona o freio.
Como o câmbio do carro é manual, foi preciso instalar a embreagem computadorizada. E no volante, um pomo giratório auxilia a fazer os movimentos. ''É bem simples, ainda mais porque eu aprendi a dirigir carro assim. Antes (de conviver com a limitação) eu só pilotava moto'', afirma Arantes, que em 1990 sofreu um acidente de trânsito que o deixou paraplégico.
Arantes conta que poder dirigir o tornou menos dependente dos outros e melhorou sua autoestima. ''É muito bom ter autonomia e poder explorar outros lugares'', declara.
Fazer a adaptação de um veículo é um investimento que pode variar bastante, de acordo com a deficiência. ''Cada carro é um carro, o que se adapta para um não funciona para o outro. Para fazer um carro como o do Cléber, por exemplo, é preciso desembolsar cerca de R$ 4 mil'', afirma Meralé.
De acordo com o mecânico, os carros adaptados precisam, além da manutenção preventiva comum, de revisões periódicas dos equipamentos instalados. ''A revisão deve ser feita, em média, uma vez por ano ou a cada 15 mil quilômetros para quem roda muito.'' (Leia mais nesta edição)

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