No dia 1º de janeiro de 2014, toda a frota de veículos de passeio e de carga produzida do Brasil deverá estar obrigatoriamente equipada com um item que visa dar mais segurança para motoristas e passageiros: o Antilock Braking System (ABS).
A necessidade da presença do ABS nos automóveis já estava prevista desde 2009, conforme a resolução 312 do Conselho Nacional de Trânsito (Contran). O documento passou por duas alterações e suas regras agora são dispostas pela resolução 395, de 2011.
O técnico Alessandro Rubio, do Centro de Experimentação e Segurança Viária (Cesvi-Brasil), esclarece que a resolução abrange apenas veículos de passeio e de carga e não prevê punições para as montadoras que não cumprirem com os prazos. No entanto, os veículos que não estiverem devidamente adequados às normas não serão emplacados e, com isso, não poderão circular livremente pelas ruas.
Há muita expectativa por parte dos motoristas quanto à possibilidade do equipamento ser uma ferramenta importante na redução de acidentes. Basicamente, o ABS é o sistema que promove o antitravamento das rodas, proporcionando ao condutor direcionar o veículo para onde quiser, mesmo com o freio acionado.
Rubio alerta para um possível entendimento errado que algumas pessoas têm sobre as funções do equipamento. "Normalmente ele diminui o espaço de frenagem, mas não é uma regra. A importância do ABS é permitir que o motorista mantenha a dirigibilidade do veículo", explica.
Vale ressaltar que freios comuns, quando acionados, mantêm o carro em linha reta, mesmo se o motorista esterçar o volante, algo que não ocorre com o ABS, possibilitando o desvio de um obstáculo.
Outra diferença substancial entre os sistemas de frenagem com e sem ABS está em "bombear" o freio. "Muito se fala que em uma frenagem de risco é necessário 'bombear' o freio para evitar o travamento das rodas. Isso é verdade, apesar de que mesmo para o bombear é preciso certa técnica. Com o ABS isso não será necessário. Basta o motorista pisar com força no pedal e o sistema equaliza a menor frenagem", orienta Rubio.
Durante este processo, o sistema identifica automaticamente qual a melhor forma para a roda não travar e o motorista sente uma leve trepidação no pedal do freio.
O especialista diz que o principal motivo para a obrigatoriedade do ABS foi mesmo a tentativa de redução de acidentes. Porém, ele argumenta que o Brasil não dispõe de um estudo que comprove a relação entre a existência do equipamento e a prevenção de acidentes.
Para o presidente da Comissão de Trânsito, Transporte e Mobilidade da Ordem dos Advogados do Brasil no Paraná(OAB-PR), Marcelo José Araújo, as implantações, tanto do ABS quanto do airbag, serão, até certo ponto, benéficas. Porém, é preciso cuidado. "A modernização dos veículos e da indústria pode ser positiva. Mas a redução dos acidentes passa, também, pela melhoria das estradas e da preparação de nossos motoristas", aponta. "Quando se pensa em mudanças, novos mercados são criados e nem tudo deve ser encarado apenas como algo bom, mas também como uma saída comercial", opina.

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