A prova dos nove dos veículos bicombustíveis, pelo menos na questão econômica, está em voga. Até o mês passado, abastecer carros flexíveis com álcool era vantajoso para o bolso do motorista pois o preço de um era quase a metade do preço do outro. Com o litro do combustível entre R$ 1,20 e R$ 1,40 e o da gasolina acima dos R$ 2,10, encher o tanque com álcool era sinônimo de economia.
Porém, o panorama hoje mudou, pelo menos em Londrina. Devido a alta no preço do álcool - provocado, segundo os usineiros pela entressafra da cana-de-acúcar - o litro do combustível é vendido nas bombas pelo preço médio de R$ 1,79, enquanto que o da gasolina chega a R$ 2,49.
Para donos de carros bicombustíveis, o álcool é mais vantajoso economicamente se o preço não ultrapassar 70% do preço da gasolina. ''Isso porque o poder calorífico do álcool é de 25% a 30% menor que o da gasolina'', explica o gerente de relações institucionais da Society Automotive Engineers Brasil (SAE), Fábio Braga. ''Portanto, um tanque cheio de álcool vai andar menos que o mesmo tanque cheio de gasolina.''
A londrinense Luciana Moya, ao abastecer o seu Fiesta Flex com álcoll, disse que ainda não parou para fazer as contas. ''Desde que comprei o carro sempre utilizei álcool. Mas ainda não parei para fazer as contas. Eu só sei que é compensado utilizá-lo se o preço for até 70% menor que o da gasolina'', explica a estudante.
Na prática, ao abastecer, basta fazer um cálculo rápido saber qual o combustível mais vantajoso: divida o valor do litro do álcool pelo valor da gasolina. Se o resultado for menor que 0,70 abasteça com álcool. Acima, coloque gasolina. A Folha preparou uma tabela rápida comparativa para facilitar os cálculos do motorista (veja abaixo). Com os preços atuais em Londrina, o número obtido é de 0,71, ou seja, quase não há vantagem na troca da gasolina pelo álcool.
Como exemplo, vamos tomar um veículo que rode 9 km por litro com gasolina e 6 km/l com álcool. Com um tanque, de 60 litros, o automóvel tem autonomia para circular em média cerca de 540 km abastecido com gasolina.
Por outro lado, se, ao invés da gasolina, for utilizado o álcool, para rodar os mesmos 540 km seria necessário 90 litros de combustível. Em nossos cálculos vamos tomar como base o preço médio da gasolina em Londrina, que se encontra R$ 2,49 por litro, e o do álcool que está em R$ 1,79 por litro.
Para encher o tanque com gasolina o motorista gastaria o equivalente a R$ 149,40 e no caso de um modelo a álcool o valor passaria para R$ 161,10 -uma diferença de quase R$ 12 por tanque.
A diferença não chega a ser grande, mas se contabilizada por um grande período, pode ser significante. Além do consumo ser melhor, com gasolina no tanque o motorista não sofre com os incômodos da partida a frio (o carro com álcool demora mais para esquentar e dar partida) e mantém uma frequência bem menor de ida ao posto. Já o lado positivo do álcool está na ecologia: o derivado da cana emite muito menos poluentes na atmosfera.
Não há como garantir que a atual situação de preço entre álcool e gasolina irá se manter. Segundo os economistas, se o governo não intervir nos preços o litro do álcool somente sofrerá uma 'queda' nos preços em abril.
Esta flutuação, contudo, só favorece ainda mais os veículos bicombustíveis, pois permitem que o motorista se adapte à situação que mais lhe interessa. Basta ficar de olho, nas bombas e na calculadora.

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