A reinvenção da roda
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sábado, 04 de setembro de 2010
Eli Araujo<BR> Reportagem local 
Maringá - O empresário Geraldo Toledo da Silva descobriu, sem querer, um ''novo'' segmento de mercado. Ele tem uma fábrica de peças para motos em Maringá (Região Noroeste) e há 15 anos resolveu comprar um Ford de 1929, também conhecido como ''baratinha''. O veículo estava bastante danificado. ''Para dizer a verdade, estava um lixo, ruim mesmo'', resume Silva.
Cuidadoso, o empresário começou a restaurar o veículo. Ele importou várias peças dos Estados Unidos, entre elas o para-lama, o estribo e a armação da capota, mas não encontrou as rodas em nenhum lugar. E como não havia condições de recuperar as que estavam no carro, decidiu fabricá-las por conta própria. Não foi uma tarefa tão difícil partindo-se do princípio que o empresário já dispunha do espaço para fabricar as peças para motos.
A experiência deu certo e o carro, depois da restauração, ficou novo novamente e se transformou em uma espécie de relíquia para o proprietário.
Embora não houvesse nenhum projeto para fabricar rodas de carros antigos, a iniciativa do empresário se espalhou e as pessoas com carros semelhantes começaram a pedir que ele fabricasse as mesmas rodas para seus veículos. Hoje, a empresa fabrica rodas para os carros da linha Ford montados entre os anos de 1926 a 1931 e está desenvolvendo as rodas para os modelos 1934/35.
O processo é quase todo artesanal. A grande diferença com as rodas dos carros atuais são os arames que fixam as rodas ''antigas''. O empresário fabrica cerca de mil unidades por mês. A maior parte já tem endereço certo: um distribuir de Ohio, Estados Unidos. Uma vez por ano, ele importa um lote com 600 unidades. Cada roda é vendida por US$ 180 para o exterior e por R$ 500 no mercado interno.
O empresário maringaense tem certeza que é o único do mundo a fazer esse tipo de trabalho. ''A gente pegava os catálogos americanos quando começamos a fazer as rodas e lá tinha de tudo, menos as rodas, e se alguém fabricasse em algum outro lugar do mundo, eles teriam colocado lá (no catálogo) antes de nós'', afirma Silva.
Para o empresário, a ideia de fabricar as rodas é um hobby que dá lucro. ''Deu uma alavancada muito boa nos nossos negócios''. Ele reconhece, porém, que como se trata de um produto de grande durabilidade, dificilmente fará uma segunda venda para o mesmo cliente.


