A 'doença' do restauro
Na salinha onde o aposentado Hélcio Gallo passa um tempo do seu dia restaurando suas motonetas, peças e pneus estão guardados. Conforme ele vai encontrando, mesmo que não precise, compra e deixa de reserva para caso fique faltando um dia. ''Os pneus, não se encontra mais os modelos da época, com o padrão de borracha da época.''
Pioneira no negócio, a dupla formada por José Sebastião da Silva, o Tiãozinho, e Gilberto Machado começou consertando Vespas e Lambrettas há cerca de 40 anos. Há 10, eles as restauram. Em frente à oficina deles, localizado na Rua Belém, região central de Londrina, chamam a atenção vários modelos das motonetas enfileiradas à espera da conclusão de seus restauros. Elas foram deixadas por clientes nas mãos dos especialistas. ''Aí deve ter umas duas ou três Vespas e umas oito Lambrettas'', tenta contar Tiãozinho.
Gilberto acha que ele e Tiãozinho já devem ter restaurado umas quinze Lambrettas e Vespas em Londrina, e mais umas cinco em Ivaiporã. Tem gente que até vem de fora trazer suas motonetas para a dupla restaurar, como uma que veio de Barueri (SP). Já pronta, está toda reluzente.
''Em 1965, 1967, quando era o auge da Lambretta, trabalhava eu, Gilberto e mais seis mecânicos'', Sebastião lembra ainda. Ele conta que, hoje em dia, muita gente desiste de restaurar quando fica sabendo do preço. Pode variar de R$ 7 mil a R$ 9 mil, dependendo de como o dono quer ver a relíquia. ''Para gente vem mixaria. O problema é o serviço de terceiros'', ele ressalva, para completar que uma restauração pode demorar uns dois anos, também dependendo do que o dono deseja fazer.
Tiãozinho ainda tem uma Lambretta LI de 1961, que usa como condução para o trabalho, mais outras quatro em casa. Há 20 anos, ele carregava até a família na garupa da LI. ''Andava eu, minha mulher e mais duas crianças toda semana, indo para o Patrimônio Regina'', lembra.
Gilberto também teve suas Vespas e Lambrettas. Algumas foram sendo vendidas com o tempo, outras estão lá, na fileira em frente à oficina. ''Eu tinha parado de mexer com isso há uns dez anos, mas reformei uma para mim, começou a aparecer um monte de gente pedindo para restaurar e peguei a doença.''(M.F.C.)





