Todo mundo que gosta de automóveis já se imaginou dentro de um cockpit. Porém, entre o sonho de pilotar um carro de corrida e a pilotagem de verdade existe uma distância bem grande. E foi pensando nisso que a dupla de pilotos de Fórmula Truck, Leandro Totti e Beto Monteiro, decidiu encurtá-la, criando a Fórmula Spyder. A categoria, que ainda engatinha, tem como objetivo aproximar o automobilismo do cidadão comum.
São dez carros idênticos em termos mecânicos e estruturais, alinhados no grid, o que faz com que o braço e o pé do piloto definam quem realmente é o melhor da pista. Para ter um lugar no grid, o ''piloto'' não precisa comprar um dos protótipos, mas sim alugar uma vaga no cockpit.
São duas opções: a individual e a dupla. Como são duas baterias por etapa é possível arrumar um parceiro para dividir os custos. Assim, cada um corre uma bateria. Neste caso, cada piloto desembolsa R$ 2 mil mensalmente. Para quem quiser correr sozinho, o valor a ser desembolsado é de R$ 3,5 mil por mês.
Para deixar a prova ainda mais igual, os carros são sorteados antes das corridas. Se o piloto tiver seus patrocinadores, ele pode colocar a bolha - carroceria - com seus investidores no carro que foi sorteado. O sorteio é feito em cada prova, assim, toda etapa o piloto ou dupla corre com dois carros diferentes. São dez protótipos alinhados em cada grid.
''Nossa intenção era baratear o automobilismo em uma categoria. Com a Spyder, igualamos em tudo os carros e, assim, o dinheiro não vai fazer diferença. O cara pode ter o maior patrocínio, mas terá o carro igual aos dos demais'', explicou Totti.
Os carros têm estrutura tubular e carenagem feita em fibra de vidro. O motor é o do Gol, um AP de 170 cavalos abastecido com gasolina. Com a intenção de deixá-los o mais original possível, as características dos motores quase não passaram por mudanças. Há uma limitação em 6.300 giros. Os Spyders chegam a atingir até 210km/h. O câmbio é de cinco marchas de engate normal. A embreagem é reforçada, para aguentar o ritmo das provas.
Os carros são bastante seguros. Têm freio a disco nas quatro rodas de aro 14, equipadas com pneus slicks. A suspensão é independente, com amortecedor de competição. O banco do piloto é feito em formato de concha, com cinto de quatro pontas. Além disso, há um protetor de cockpit. O extintor está localizado bem ao lado do assento e é pré-ativado, com comando na mão do piloto. Cada protótipo custa em torno de R$ 50 mil.
A reportagem da FOLHA provou a sensação de dar algumas voltas na pista a bordo de um Spyder. Num primeiro instante, é inevitável o receio de ter um contato mais íntimo com um muro ou com a barreira de pneus. Com outros carros dividindo a pista, então, o medo aumenta um pouco.
Porém, aos poucos, o medo vai embora e dá lugar à adrenalina de pisar fundo nas retas. Algo cativante, que faz qualquer leigo pensar em correr atrás de um patrocinador para encarar uma temporada na Fórmula Spyder. O carro é fácil de ser levado pelo traçado. O câmbio do VW Gol facilita as trocas de marchas sem provocar confusão.
Para o ano que vem, a organização tem a intenção de fazer etapas em Curitiba e em Interlagos. Nesta temporada, a Fórmula Spyder já ultrapassou a divisa do Paraná, correndo em Campo Grande (MS). A próxima etapa será hoje, no Autódromo Internacional Ayrton Senna, em Londrina.

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