O simulador de voo Glass Cockpit AATD (Advanced Aviation Training Device) tem todos os recursos para quem precisa aprender a voar por instrumentos. O chamado voo IFR (Instrumental Flight Rules) é a opção mais segura quando as condições do clima não colaboram.
Por meio do equipamento são criadas situações em que o voo visual pode ser perigoso, como tempestades ou neblina, além de panes do próprio avião. Com o conhecimento avançado de toda a aparelhagem, o piloto tem condições de guiar a aeronave até o destino estipulado com segurança.
Para entender melhor como funciona o equipamento, a reportagem da FOLHA visitou um dos campus da Universidade Norte do Paraná (Unopar), que tem o simulador para o treinamento de alunos do curso de Ciências Aeronáuticas. Com o Glass Cockpit AATD é possível simular voos de aviões bimotores e monomotores.
A simulação segue, desde o início, os mesmos passos de um voo real e começa fora do equipamento. ''Antes de tudo, tem a preparação por meio do estudo das cartas de rota e de voo'', explica o instrutor de voo Allisson de Carvalho.
Em seguida, o instrutor programa em um computador como será a viagem, definindo as condições meteorológicas que serão enfrentadas e possíveis panes.
Dentro da cabine o equipamento tem as mesmas características de uma aeronave verdadeira e, antes de ''decolar'', uma série de detalhes precisa ser checada, como parâmetros de motor, altitude a ser atingida, itens de segurança, entre outros. ''É feito um 'check-list' completo'', ressalta de Carvalho.
Quem vai ''voar'' não pode esquecer, por exemplo, de acionar o transponder, aparelho que identifica a aproximação de outras aeronaves. O ambiente externo ao avião é simulado através de um projetor que gera imagens virtuais em um telão. Os gráficos não chegam a se igualar a cenas reais, mas dão uma boa percepção dos espaços terrestre e aéreo. Saindo, por exemplo, do aeroporto virtual de Londrina é possível ver lá embaixo o Lago Igapó e até mesmo dar uma volta pela cidade, visualizando prédios e outras construções. Seguindo rumo a Curitiba também nota-se uma paisagem bem parecida com a verdadeira. Além disso, o tempo para chegar ao destino é o mesmo de um voo real.
A pilotagem pode ser feita tanto no automático como no manual. No segundo caso fica evidente que tanto manejo quanto sensibilidade de manche e pedais são bem próximos da realidade. ''Não chega a ser exatamente igual, pois na realidade existe a interferência da atmosfera, mas é bem parecido'', complementa o instrutor.
Por isso, pilotar o simulador sem cometer falhas é um trabalho para quem já tem certa experiência. Quando é o repórter que tenta pousar, por exemplo, a simulação é de uma aterrissagem no mínimo crítica.
Investimento
Para dar início ao treinamento de voo IFR, o aluno precisa ter passado por um curso privado de pilotagem. Neste caso as aulas são em aviões de verdade, mas apenas em condições visuais. ''Depois disso a pessoa ainda precisa ter 40 horas de voo IFR e o simulador abate 20 horas desse treinamento'', explica Vivien da Costa, coordenadora do curso de Ciências Aeronáuticas da Unopar.
O simulador Glass Cockpit AATD foi comprado pela Unopar há cerca de dois meses. A Universidade já contava com um aparelho, mas decidiu investir em outro mais moderno. Comprou ainda mais um que foi cedido em comodato ao Aeroclube de Londrina.
Além de ser uma boa ferramenta de treinamento, o simulador traz economia para quem tenta ingressar na carreira de piloto. ''Para o aluno da Unopar não há nenhum custo adicional ao utilizar o simulador. Já para quem faz o treinamento no Aeroclube, por exemplo, a economia é bem grande'', explica Vivien da Costa.
Para se ter uma idéia, no Aeroclube de Londrina uma hora de voo em um avião Corisco custa R$ 470. Já no simulador sai por R$ 110.

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