A arte de desamassar usando só martelo
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sábado, 16 de julho de 2005
Jaime Kaster<br>Reportagem Local 
É comum ouvir pela rua motoristas reclamando da fragilidade da lataria dos carros modernos. É só ocorrer uma batida num engarrafamento para se verificar como os carros de hoje ''afundam'' ao simples toque de outro no trânsito. ''Isso é uma casquinha de ovo'', desabafam os mais antigos, que recordam com saudade do tempo em que as automóveis eram mais resistentes, porém menos seguros para os ocupantes.
Pois se o problema atual são os frequentes amassados na lataria, o serviço conhecido como ''martelinho de ouro'', que chegou ao Brasil na década de 60, virou uma solução. Com um pequeno jogo de ferramentas - que inclui aquecedor térmico, ganchos, um martelo de acrílico, outro de ferro e um pino arredondado - os especialistas do ramo conseguem consertar quase todo tipo de amassado de médio porte sem precisar recorrer ao método tradicional, que requer funilaria e pintura.
De acordo com o pioneiro do serviço em Londrina, o paulistano Arcanjo dos Santos, de 54 anos, dono do Martelinho de Ouro - O Artesanal, localizado no Parque Guanabara (Zona Sul), somente com o martelo dá para se recuperar pequenos amassados nas portas, paralamas, capô, porta-malas, teto, frente ou tampão traseiro. ''A grande vantagem do martelinho é o custo baixo e a rapidez com que se faz o serviço, em comparação com o sistema antigo'', diz Arcanjo.
Ele exemplifica que no caso de uma chuva de granizo, por exemplo, que pode deixar o carro com 300 pontos de pequenos amassados, faz-se o serviço em três a cinco horas com o martelo, contra dez a 15 dias se o veículo for para uma funilaria. ''A chuva de pedra é a ocorrência mais comum dos clientes que nos procuram. Quando há vários carros atingidos numa mesma região nós praticamente nos mudamos para o local até terminar de atender toda a demanda'', explica Arcanjo.
Empresário do segmento há 30 anos, ele montou uma oficina em São Paulo após se desligar da Volkswagen, onde trabalhou por 11 anos e onde aprendeu a lidar com o martelinho. A técnica foi trazida da Alemanha, na década de 60, após centenas de carros da Volks terem sido atingidos por granizo em um dos pátios da montadora, em São Bernardo do Campo (SP).
Em 1991, quando caiu em Londrina uma forte chuva de granizo, Arcanjo foi requisitado pelas concessionárias Norpave, Cipasa e Jabur para desamassar 91 carros que estavam avariados. Como ficou conhecido, decidiu montar aqui uma filial. Em junho de 92, arrendou sua oficina em São Paulo e se mudou para cá. Nestes 13 anos, já prestou serviços em muitas cidades atingidas por granizo em toda a região Sul, interior de São Paulo e Minas Gerais.


