Agência Estado

O ano que termina foi recorde em lançamentos de veículos, mesmo com as vendas em queda e mais um período sem rentabilidade nas montadoras. Só em modelos nacionais inéditos foram pelo menos nove. Levando-se em conta novas versões e motorização, o número passa de 50. Segundo as empresas, nunca houve tantas novidades em um único ano. Mas em 2004 os lançamentos serão mais escassos. Na maioria dos casos, vão se limitar a mudanças ou ampliação das versões atuais (veja quadro).
  No próximo ano, a indústria automobilística vai centralizar esforços na recuperação de prejuízos. O investimento em novos produtos vai diminuir, apesar da previsão de um crescimento de 3% a 10% nas vendas, que este ano ficarão próximas a 1,4 milhão de unidades. ‘‘As montadoras não terão fôlego para manter o ritmo de lançamentos’’, concorda o presidente da Citroen do Brasil, Sérgio Habib.
  A estratégia da maioria das empresas foi a de lançar modelos de maior valor agregado, na tentativa de reduzir perdas financeiras. Foram inauguradas linhas de produção do EcoSport (Ford), Fit (Honda), C3 (Citroen), Fox (Volkswagen), Montana (General Motors), novo Palio (Fiat), XTerra (Nissan), F-250 cabine dupla (Ford) e L200 Sport (Mitsubishi).
  Algumas das novidades inauguraram segmentos antes inexplorados no País, como o de compactos de luxo, com Fit e C3, e o de utilitários esportivos de pequeno porte, com o EcoSport. O veículo da Ford possibilitou à marca o primeiro lugar em vendas de comerciais leves. E as versões 1.6 e 2.0, que custam entre R$ 40 mil e R$ 50 mil, ainda roubaram mercado das minivans, com preços na mesma faixa. As vendas dos modelos Picasso (Citro–n), Scénic (Renault) e Zafira (GM) caíram 27% até novembro.
  ‘‘Como o mercado não cresceu, houve canibalização de produtos’’, diz Habib. O Fit e o C3, embora compactos, foram preferidos a modelos de maior porte, como o Golf, que registrou queda de 44,3% nas vendas, e o Vectra, com 53% de redução nos negócios ante 2002. A Honda ampliou suas vendas totais em 44,6% neste ano, puxada pelo Fit, pois o Civic perdeu mercado, assim como os clássicos Gol, Palio e Corsa.
  O C3 não teve o desempenho esperado por causa das dificuldades da fabricante em relação à cotação do euro, pois alguns componentes são importados da Europa. A Citroen, que também perdeu mercado do Picasso e dos importados, registra queda de 17% nas vendas.
  O ano também foi o da chegada ao mercado dos motores flexíveis, que podem ser abastecidos com álcool ou gasolina. Volks, GM e Fiat lançaram produtos com essa tecnologia inédita, que até agora equipou 34.431 veículos comercializados desde março. A Ford promete ter sua versão do Fiesta flexfuel no próximo ano, além de lançar o EcoSport com tração 4x4 e mais dois veículos ainda mantidos em sigilo.
  O EcoSport terá um concorrente direto com a chegada do CrossFox, versão mais reforçada do Fox. Em março, a Volks lança a opção com quatro portas do modelo, a maior esperança da marca de voltar ao topo do mercado.
  A GM, que está próxima da líder Fiat, promete renovar 85% da sua linha nos próximos 30 meses. O diretor de Marketing, Santiago Chamorro, diz que ‘‘o mercado reage rapidamente às novidades, e prova disso foram os seis lançamentos feitos durante este ano, que levaram a marca à posição privilegiada que alcançou.’’
  Em 2004, a Fiat vai estender para as versões Weekend, Siena e Strada as mudanças feitas no Palio, que chegou totalmente renovado em novembro.
  Segundo a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), o Brasil dispõe de 400 modelos, o que o coloca em igualdade de oferta em relação a países desenvolvidos. Há uma década, não passava de 70 versões.
  O País abriga 17 fabricantes e a concorrência obriga a uma renovação constante de produtos. É essa disputa que possibilita uma diversidade na posição das marcas no mercado. A GM lidera o segmento de carros de passeio e a Ford, o de comerciais leves. A Fiat é líder na soma dos dois e a Volks é a maior montadora do País, somando caminhões e ônibus.

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