ZPA, a 'montadora' de Maringá
Atrair novas indústrias é um desafio da maioria das administrações municipais da região noroeste, e Maringá não foge à regra. Nos últimos anos, diversos projetos foram desenvolvidos com o intuito de aumentar o parque industrial da cidade e, com isso, criar novos empregos. Além da prefeitura, a comunidade organizada também se envolveu nas discussões sobre a melhor forma de viabilizar novos investimentos, e o resultado tem sido uma parceria que está rendendo frutos.
Em 1997, através de lei municipal, foi criado o Programa de Desenvolvimento de Maringá (Prodem), que entre outros benefícios concede isenção de impostos municipais por 10 anos para as indústrias que se instalarem na cidade. Além disso, a prefeitura vende terrenos com preços até 90% mais barato e prepara toda a infra-estrutura básica da área. O programa tem surtido efeito: desde 1997, 58 novas empresas se instalaram na cidade, gerando cerca de mil empregos.
A parceria entre prefeitura e comunidade organizada é o que possibilitou a criação da Zona de Processamento Aduaneiro (ZPA), um dos melhores projetos para o desenvolvimento da cidade dos últimos anos. A ZPA foi criada pelo Conselho de Desenvolvimento Econômico de Maringá (Codem), que reúne representantes de diversos segmentos da comunidade.
De acordo com o secretário da Indústria e Comércio de Maringá, Miguel Fuentes Salas, a ZPA é o principal atrativo da cidade para a instalação de novas indústrias. Ele compara a ZPA às montadoras que estão se instalando na Região Metropolitana de Curitiba. A ZPA e á nossa montadora, diz. O principal benefício que ela oferece, conforme Salas, é a dilação do prazo para recolhimento do ICMS das mercadorias importadas e exportadas que passam pelo Porto Seco de Maringá. Através da ZPA, as empresas têm até 48 meses para recolher 80% do ICMS das mercadorias importadas. O restante, ou seja, 20% do ICMS deve ser recolhido no momento do desembaraço da mercadoria.
O decreto criando a ZPA foi assinada pelo governador Jaime Lerner no ano passado e, desde então, Maringá ganhou 18 novas empresas. De acordo com o projeto destas empresas, a expectativa é de que elas venham gerar 2.033 empregos diretos e indiretos. O faturamento estimado é de R$ 1,48 milhão por ano e o investimento total de R$ 158,9 milhões. Todas as previsões foram feitas a partir da implantação total das 18 empresas. Conforme Salas, todas as empresas já se instalaram parcialmente na cidade. Ele diz que a prefeitura está tendo o cuidado de selecionar as empresas interessadas em se instalar na cidade, coibindo as indústrias altamente poluidoras. Queremos preservar a qualidade de vida em Maringá, ressalta.
Outra preocupação da prefeitura, conforme Salas, é atrair indústrias que estejam realmente interessadas em transformar produtos na cidade, o que contribui para a criação de novos empregos. Nossa preocupação é não permitir que Maringá se transforme apenas em um entreposto de mercadorias. Entre as indústrias que se instalaram em Maringá, beneficiadas pela ZPA, está a Karatex, Santista, Opus, Acolchoados Maringá, Dakplast, Indel, Iguaçu, Intermares, Belt Center, Jotan, La Serena, Cedar, Hygicare, Betra, Tass, Engeluz e Frutícula Best.Arquivo FLSem burocraciaPorto Seco: estrutura para atender as 18 empresas que se instalaram após a criação da ZPA, que concede dilação do pagamento de ICMSLucinéia Parra





