Zona rural reclama de transporte
Os eleitores da zona rural de Tamarana tiveram dificuldades de locomoção para os locais de votação. Houve casos de grupos de pessoas que esperaram cerca de cinco horas até que o transporte cedido pela prefeitura à Justiça Eleitoral os transportasse para a cidade.
O lavrador Sudário Vicente Ferreira, 60 anos, morador no Assentamento Tesouro, quase desistiu de votar com a demora do ônibus. Ele, como outros moradores do Tesouro e do Assentamento Serraria, estava revoltado com a demora. O ônibus passa lotado e não pára. Nas campanhas anteriores havia mais veículos fazendo o transporte. Isso que está acontecendo é um absurdo, desabafou Ferreira. Outros moradores da região disseram que para os comícios em Tamarana sempre havia ônibus à disposição da população, o que não aconteceu ontem.
Uma mulher com uma criança recém-nascida no colo, xingava os políticos pela falta de organização no transporte dos eleitores. Ela foi de Londrina para votar na Escola Municipal Samuel Moura, no Incra. Disse que o motorista não havia informado que não a deixaria no local de votação, a cerca de 5 quilômetros da Gleba Apucaraninha. Eu estou de dieta e não me conformo com esta palhaçada que estão fazendo com a gente, desabafou a mulher sem se identificar.
Em determinados momentos, os ônibus, já lotados, paravam para deixar um eleitor no local certo de votação, mas não recolhiam as pessoas que precisavam ir a Tamarana sob a alegação de que não cabia mais ninguém. José Castorino Rodrigues, 36 anos, mora cerca de 80 km do local onde votou, do outro lado do município. Ele dormiu a noite anterior na casa de amigos para poder votar. No entanto, não conseguia transporte para voltar a Tamarana, onde pegaria uma condução para sua casa.
Por volta das 11 horas, em outro ponto da estrada, Jovina Francisco Mariano, 50 anos, aguardava transporte com um grupo de pessoas desde as 7 horas. Ela e a filha pequena precisavam ir ao Incra para votar, mas ninguém parava para ela. A saída, depois de quase cinco horas de espera, foi pegar o ônibus que levou o grupo até Tamarana para depois voltar ao Incra. Ela percorreu o dobro do caminho - cerca de 60 quilômetros - para conseguir votar.
O juiz eleitoral João Antônio Lemarchi disse ter sido informado deste problema somente ao meio-dia. Ele afirmou que o transporte de eleitores é cedido pelo município, de acordo com a possibilidade e estrutura de cada administração. Se Tamarana não tem como providenciar o transporte, eu teria que ter sido informado antes para que tentasse solicitar reforço em Londrina, comentou. Lemarchi solicitou que o responsável pelo transporte o informasse de como estava a situação e, até o início da tarde, as pessoas puderam ser levadas aos locais de votação. (A.S.)





