Zé do Bode defende forró com unhas e dentes
Nascido em Minas Gerais, com alma de nordestino e coração londrinense. Esta é uma síntese da personalidade de José Gomes da Silva, 64 anos, mais conhecido como o sanfoneiro Zé do Bode. Ele é um dos músicos mais tradicionalistas da cidade. Defende com unhas e dentes a importância e a qualidade do forró tradicional, baseado na tríade sanfona, triângulo e zabumba. Da infância no interior mineiro, traz lembranças das festas juninas tradicionais. E com experiência de mais de 40 anos em Londrina, sonha em transformar as festas locais em verdadeiros arraiais nordestinos.
As principais diferenças na visão do sanfoneiro são a iniciativa da organização, o uso de instrumentos musicais fora do padrão tradicional e, o mais importante, a animação dos participantes. Na pequena Itacarambi, encravada na divisa com a Bahia, ele viveu até a juventude e tomou gosto pela música. A principal lembrança é da participação maciça.
Durante três ou quatro dias seguidos, os festejos juninos reuniam toda a cidade. Em cada casa, um grupo de forró e um banquete farto, com delícias como biscoito de tapioca, brevidade, moranga. Fogueira, pau de sebo e arrasta-pé também não podiam faltar. ''O forró durava a noite toda. Chegava a levantar um poeirão no terreiro. Precisava vir com uma gamela (bacia) de água para apagar o pó. Daí a festa seguia até o sol raiar'', rememora.
Saudosismo é o que não falta em Zé do Bode. Ele relembra desde o chapeú certo para cada tipo de música até o disco gravado com o grupo Nivaldo Silva e Os Caprichosos do Forró. Autodidata, o sanfoneiro tem um leque variado de ritmos musicais. O favorito é o forró.
O disco com composições do próprio Zé do Bode e de parceiros de banda foi lançado no início dos anos 1980. Também guarda rolos de fita com composições gravadas, na expectativa de gravar um novo trabalho. Enquanto a oportunidade não chega, e sem ter conseguido a aposentadoria após anos de trabalho na lavoura, tira o sustento da música. E ensina: ''O músico tem de ser completo, especialista em tudo. Mas o que gosto mesmo é de tocar o meu forró tradicional.'' (F.R.F.)





