Volto aos koans, não sem antes o sempre indispensável prefácio destinado a situar no tempo e no espaço estas micro-estórias, estas mini-parábolas com que o budismo, e sobretudo a vertente zen, encontrou para transmitir, de um modo todo poético e particular, sua ‘‘doutrina’’.
Muito próximos das parábolas crísticas, os koans não possuem contudo um sentido ‘‘moral’’ explicíto - limitando-se exclusivamente a ‘‘indicar’’ a possível verdade no ‘‘caroço’’ de estórias milenares, imantadas todas por sabedoria muitas vezes desconcertante.
Um modo e um ‘‘mood’’ para que aprendizes de qualquer quilate, aqui, no Tibet ou em Bangladesh, através esforçados exercícios, possam alcançar o que para além do brilho da estrela é só uma ‘‘conversa’’ vertiginosa - de luz e de sombra. E que nós, ocidentais, chamamos ‘‘iluminação’’, ‘‘insight’’, enquanto a filosofia zen-búdica prefere chamar ‘‘satori’’ - algo maior, bem maior que a esperança.
Quem aí se candidata?
O jardim de cascalhos

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