Volto aos koans sem descuidar de sua necessária in-definição posto que estas estorietas, imantadas da chave de um Deus sempre súbito e nunca suposto, ainda que inexplicáveis parecem impor uma explicação, mesmo a mais pífia, como estas que costumam introduzi-los cá nesta folha-de-jornal.
Próximos das parábolas cristãs mas, ao contrário delas, sem uma ‘‘chave’’ moral que os anime e lhes dê um ‘‘sentido’’, koans são impossíveis racontos, às vezes de uma linha!, saborosas ‘‘equações’’ com que mestres e discípulos confabulam perseguindo o ‘‘satori’’ búdico - esta igualmente intangível ‘‘iluminação’’ capaz de desvelar no coração do mal-dito a jóia pura do bem-dito. A significação última e também primeira da Vida, nosso mais entranhado mistério.
E se nada disto ainda não vos convenceu de todo, experimente sair nas manhãs de domingo com vosso cão. Bem provável que na doçura dos olhos dele, quase rente ao meio-fio, entendas dos koans a sina - de nãodizer o nãodito, dizendo tudo, e completamente.
Quem aí se habilita?
O vaso
e a utopia

mockup