De acordo com as cowgirls, o visual ideal exige minissaias ou jeans apertadíssimos, cintos com fivelas enormes e as onipresentes botas de bico fino. Chapéus são mais usados pelo rapazes, que só por descuido deixam as camisas saírem para fora das calças.
  Movidos a whisky com energético, os sertanejos universitários também se organizam em excursões para rodeios e festas agropecuárias realizadas fora de Curitiba. Sem contar os eventos organizados por comissões de formatura, que encontraram no country um ótimo chamariz para angariar fundos.
  Christian & Miguel, Eric & Matheus, Henrique & Diego, Júnior & Rodrigo, Álvaro & Daniel, Marcos & Dalton são algumas das duplas paranaenses em voga no circuito de casas noturnas. Tratados como semi-celebridades locais, os cantores carregam uma verdadeira comitiva de amigos e fãs por onde tocam – ainda que a maioria dos neosertanejos nem faça idéia de quem está em cima do palco. ‘‘O Woods é só modinha. O pessoal vai lá e nem dança, só fica desfilando’’, critica a estudante Bruna Catafesta (ela jura que não é apelido!), 18 anos. Ela o prefere o Rancho Brasil, mais antigo e tradicional, na Avenida das Torres.
  O surgimento de casas noturnas como o Woods e a proliferação das faculdades pelo interior do País são alguns dos fatores que explicam o renascimento da cultura sertaneja. Mas sem as duplas da geração anos 2000, ainda estaríamos sob o reinado dos dois filhos de Francisco.
  Nomes como César Menotti & Fabiano, Victor & Léo, Edson & Hudson e Fernando & Sorocaba são pequenos fenômenos nacionais, catapultados à fama sem precisar do esquema das gravadoras multinacionais. Construíram suas carreiras na estrada e na internet, contando apenas com o boca-a-boca dos fãs. Se hoje assinam bons contratos e aparecem na TV, é porque entenderam a velha máxima mineira de que ‘‘todo artista tem de ir aonde o povo estᒒ.
  Em linhas gerais, o sertanejo universitário é uma versão pop do caipira tradicional. O som, mais acelerado e dançante, traz influências de vanerão, rock, forró e até axé music (certos hits chegam a ter suas próprias coreografias). Já as letras... Bem, elas não primam exatamente pelo lirismo. ‘‘A gente canta para quem gosta de festa. Fala sobre tomar umas, ficar alegre e azarar a mulherada’’, resume Miguel, que faz dupla com Christian. Cada geração tem os poetas que merece. (O.G.)

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