Curti cada minuto de Watchmen, a já polêmica adaptação para o cinema dos quadrinhos de Alan Moore. Mas como sou das "antigas" (li o gibi em 1988), fiz questão de ver o filme com um leigo à tiracolo.
Minha cobaia, digo, companheira de sessão saiu da sala dividida. Gostou muito da estética desenvolvida pelo diretor Zack Snyder, porém ficou "boiando", como ela mesma disse, em algumas partes. Ouvi outras opiniões, todas de não-iniciados, e a avaliação foi a mesma: Watchmen é interessante, diferente e, no entanto, confuso.
É provável que eu tenha transferido a carga emocional dos quadrinhos para a tela grande. Conheci a história quando a Guerra Fria, elemento fundamental para a trama, ainda era uma realidade. Sem falar no impacto, para um garoto de 13 anos, de acompanhar a desintegração ética e moral de um grupo de super-heróis politicamente incorretos. E, de quebra, ser bombardeado com conceitos sobre vida, morte, amor, perdão, etc. Nunca mais fui o mesmo.
Se Watchmen não consegue dialogar com as platéias que não leram o gibi, é um filme incompleto. Mas que se dane, não sou mais crítico de cinema - e há tempos desisti de tentar convencer os outros de qualquer coisa. Aliás, vou assistir de novo esta semana, nem que seja sozinho.
Pela primeira vez, os fãs de carteirinha aprovaram uma adaptação. E não só isso: gostaram mais do que o público "comum". É a vingança dos nerds da cultura pop. Ou melhor, a vitória.

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