Wanderci Corral Fernandes era o segundo homem da Polícia Civil de Londrina em 1987. Hoje, é o primeiro. Delegado-adjunto na época do assalto, atualmente ele ocupa o cargo de delegado-chefe da 10ª Subdivisão Policial. É um dos principais responsáveis pelo combate à criminalidade em Londrina.
Wanderci exerceu papel importante na negociação com os assaltantes do Banestado. Foi refém até o fim do assalto. Na manhã de 10 de dezembro de 1987, ele estava visitando a antiga fábrica da Skol em Londrina, junto com outros delegados, quando recebeu um telefonema que avisava sobre a situação na agência do Banestado.
Imediatamente foi para lá e se ofereceu como refém, de acordo com a exigência do grupo armado. ‘‘Quando entrei no banco, achei que os assaltantes eram profissionais e me conheciam. Vi aqueles caras com lenço cobrindo o rosto e carabina na mão. Pensei que estava frito: eles poderiam se vingar de mim.’’
Mas a vingança não veio. Os assaltantes tinham um comportamento calmo, evitavam a violência. Em certo momento, o delegado teve uma surpresa, que até hoje não havia sido revelada: entre os reféns do banco estava uma policial civil armada. ‘‘Ela estava deitada no chão como os outros reféns. Pedi que ficasse quieta e não tivesse nenhuma reação.’’ A policial permaneceu como estava, não foi identificada e acabou solta pelos assaltantes.
De vez em quando, em meio às negociações para a fuga, o líder Moreno reagia a algum acontecimento do lado de fora do banco. Em certo momento, ele observou um homem deitado num prédio em frente à agência, com algo na mão. ‘‘Aquele seu policial tá com a metralhadora apontada pra gente!’’, disse Moreno. O delegado tranquilizou o líder do assalto: a ‘‘metralhadora’’ era uma máquina com lente objetiva e o ‘‘policial’’ era o fotógrafo Milton Dória, da Folha de Londrina.
Até a hora em que os assaltantes decidiram sair da agência, o delegado Wanderci os considerava profissionais. Depois, o grupo liderado por Moreno começou a mostrar amadorismo. Primeiro, eles não aceitaram fugir de avião (consta que Moreno tinha medo).
Depois, empreenderam um fuga caótica, corriam em direção ao vazio. ‘‘Houve muitas falhas na fuga. O tempo foi passando e os bandidos foram ficando cansados. O Moreno chegou a cochilar junto à metralhadora, na minha frente.’’
Na rodovia Castelo Branco, começaram a aparecer policiais militares na beira da pista. Carros perseguiam o ônibus com os reféns. O delegado pensou então: ‘‘Isso aqui vai dar morte’’. Por pouco não aconteceu a tragédia que todos temiam, pois os PMs paulistas abriram fogo contra o ônibus. ‘‘A polícia de São Paulo se precipitou ao atirar’’, acredita Wanderci.
Ao sair do ônibus, ainda sob a mira dos PMs, ele teve que se identificar para não ser alvejado. Saiu gritando: ‘‘Não atirem! Eu sou delegado! Eu sou delegado!’’
Passados dez anos, a tarefa do delegado continua não sendo fácil: além da onda de assaltos de rua, Londrina ainda sofre com os assaltos a banco. ‘‘As agências pequenas não têm a segurança que a lei determina, mas nós estamos trabalhando contra os criminosos. Recentemente prendemos mais uma quadrilha’’, diz Wanderci Corral Fernandes.
Em Londrina, foram 17 assaltos a bancos só este ano. Quatro deles à mesma agência: a do Bradesco na avenida Duque de Caxias. O dia de cão foi substituído pelos minutos de pânico: hoje, os assaltantes agem com rapidez e fogem logo.

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