'Vou rezar para que encontre uma mulher'
De um lado, Edith Modesto dá a versão da mãe. De outro, o jornalista Júlio Wiziack, de 32 anos, assumidamente gay, relata seu processo de auto-aceitação no livro ''Abrindo o Armário - Encontrando uma Nova Maneira de Amar e Ser Feliz'' (Editora Jaboticaba). Logo de cara, ele reproduz o diálogo com seu pai, que, em estado de choque com a revelação do filho, termina por dizer, atônito: ''respeito a sua escolha, mas vou rezar para que encontre uma mulher que lhe devolva ao caminho.''
Após longa batalha, Júlio teve uma vitória e tanto. Hoje, ele já leva o namorado para reuniões familiares, dorme no mesmo quarto que ele durante as visitas, mas ainda tem de lidar com olhares de espanto diante de demonstrações simples de carinho entre os dois. Muito mais doloroso do que encarar a família, no entanto, foi enfrentar seu próprio preconceito.
''Quando percebemos que nosso desejo e comportamento são diferentes do padrão heterossexual, tememos não ser amados pelos familiares, sofrer agressões físicas, ser motivo de chacota, perder o emprego, etc'', confessa Wiziack. ''Esse peso faz com que haja uma cisão entre o que somos de verdade e o que aparentamos ser, o que é um grande sofrimento, pois gastamos uma super energia para disfarçar e, assim, nos protegermos.'' Ele venceu essa barreira, livrando-se dos medos e angústias.(C.V.)





