Votar só em quem conhece
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quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008
Luciana Pombo<br> Equipe da Folha 
Ano eleitoral. Momento de se repensar a política local, reavaliar os prefeitos, apostar em mudanças ou em manutenção de uma administração que está dando certo. Dados oficiais revelam que 125,7 milhões de eleitores deverão votar nos 26 estados brasileiros. Mais de 22% dos eleitores estão concentrados nas capitais. Curitiba, por exemplo, tem 1,2 milhão de eleitores. Apesar da variedade de partidos e correntes ideológicas no Brasil (são 27 partidos com representações junto ao Tribunal Superior Eleitoral), poucos lançam candidatos para cargos majoritários. Em 2004, apenas oito partidos conseguiram eleger prefeitos nas capitais brasileiras.
Mesmo com a evolução do processo eleitoral, os mesmos grupos políticos permanecem conquistando o Poder. Não são raros os casos de alternância entre os candidatos ao governo municipal - municípios que ora elegem um prefeito, ora elegem outro (os mesmos dois prefeitos, em rodízio de cargos). Muitos políticos acabam conquistando espaço por serem apadrinhados ou filhos de outros políticos que marcaram gerações. Em Campo do Tenente, por exemplo, Reinaldo Afonso Pereira (PSDB) era prefeito em 1996 e foi candidato em 2000, mas perdeu a eleição para Alberto Bicudo Quevedo (PL). Na eleição, correndo sozinho surgia o nome de Celso Wenski (PMDB), que voltou a se candidatar em 2004. Pereira, ex-prefeito, acabou vencendo a eleição em 2004.
Casos como Campo de Tenente não são exceção. Eles ocorrem na maioria dos municípios da Região Metropolitana de Curitiba - que tradicionalmente não reelege seus prefeitos em duas eleições consecutivas, mas os alterna no Poder. Na Lapa, Miguel Lourenço Horning Batista (PTB) venceu as eleições de 2004. Batista não era um nome novo. Ele foi o prefeito da Lapa em 1996 e venceu o então prefeito Paulo Cesar Furiati (PMDB) - que tentava a reeleição. Em Pien, Francisco Marques Neto (PSDB) conseguiu se reeleger, mas sem antes disputar voto a voto com o ex-prefeito Orlando Dranka (PMDB) - prefeito eleito em 1996.
Em Tijucas do Sul, Leonides Bogo Júnior (PTB) foi eleito com 66% dos votos. Ele venceu o então prefeito João Maria Claudino (PMDB), eleito em 2000. Bogo Júnior já era figura carimbada na política e foi candidato derrotado a prefeito em 1996. Em Quitandinha, os eleitores resolveram romper a tradição em 2004. Valfrido Eduardo Prado (PMDB) venceu com 38% dos votos válidos. Ele disputava com Charles Lipinski (PSL) - então prefeito, eleito em 2000 e com José Ribeiro de Moura (PFL) - candidato derrotado em 2000 e prefeito eleito em 1996.
Em Curitiba, por exemplo, o atual prefeito Beto Richa (PSDB) venceu o deputado estadual Angelo Vanhoni (PT) no segundo turno com uma diferença de 86,2 mil votos. Beto tem um nome marcado pela lembrança da administração de seu pai, José Richa, no governo do Paraná. Vanhoni disputou várias eleições para o governo municipal, tendo sido derrotado em 1996 e em 2000 - quando conseguiu mais popularidade entre os curitibanos e dividiu o segundo turno, pela primeira vez, com o então candidato à reeleição Cassio Taniguchi (DEM).


