de Curitiba
O faturamento da Volvo do Brasil, instalada na Cidade Industrial de Curitiba, é de US$ 600 milhões/ano. Desde 1996, além de fabricar caminhões e ônibus, a indústria é responsável também pela importação dos automóveis da marca. Atualmente com 1.350 funcionários, a Volvo tinha em 1994, 1.546 empregados e em 1995, 1.700. O decréscimo se deve a um pequeno ganho de produtividade em seus processos neste período - melhorias introduzidas na estrutura da fábrica e investimentos em treinamento de pessoal.
O volume de produção destinado atualmente aos mercados internos e externos estão em torno de 80% e 20%, respectivamente. Nos últimos anos esses índices têm se mantido praticamente estáveis. Dentro da linha de pesados, a Volvo produz caminhões com capacidade acima de 16 toneladas. Atualmente o modelo de caminhão produzido é o EDC - Electronic Diesel Control. São os primeiros caminhões produzidos no País, com potência de 320 cv, 360 cv e 410 cv, que contam com sistema eletrônico de injeção de combustível.
Além de contar com a cabine mais alta do mercado, o modelo apresenta piloto automático e ar-condicionado acoplado ao painel, entre muitas inovações tecnológicas, que os tornam os mais modernos produzidos no País. A Volvo possui também uma linha completa de ônibus para utilização em transporte público, como é o caso dos articulados e biarticulados usados em Curitiba e somente produzidos pela Volvo do Brasil. Possui, ainda, uma avançada linha de ônibus para transporte rodoviário de passageiro. São dois modelos em quatro versões.
Em janeiro deste ano a Volvo lançou no mercado brasileiro e sul-americano o B12B - eleito na Europa em 1996 o melhor ônibus na sua categoria, que até então era importado e que passa a ser fabricado pela empresa no Brasil.
O Plano Real trouxe alguns problemas, como a adaptação à nova realidade econômica. ‘‘Sem dúvida este foi o maior problema’’, diz o diretor de Assuntos Corporativos da Volvo do Brasil, Carlos Morassutti. Segundo ele, esse processo de adaptação passa pelos funcionários, pela empresa e principalmente pelos clientes, que da mesma forma tiveram que se adaptar à nova estrutura econômica. ‘‘Isso demanda um aprendizado que não ocorre de um dia para o outro.’’
Para o diretor, a questão da estabilização econômica, que passa pelo fim da inflação, é um dos maiores benefícios decorrentes do Plano Real. ‘‘Mas a partir do segundo semestre de 1995 a economia sofreu, no caso de caminhões, uma retração que chegou perto de 35%’’.
‘‘O mercado como um todo, que em 1995 fechou o ano com um total de quase 22 mil unidades de pesados, chegou ao final de 1996 com pouco mais de 14 mil unidades. Houve muitos altos e baixos nesse período em que ainda está havendo adaptações’’. Para ele, o governo ainda deve mexer num dos pontos nevrálgicos do Plano Real: a política de administração das taxas de juros. ‘‘Dentro de um mercado sem inflação, as taxas praticadas pelo sistema financeiro impedem o crescimento econômico’’.
No tocante a importações e exportações, o diretor da Volvo considera que para exportar mais é necessário criar condições para que se possa competir com os produtos de primeiro mundo. O grande empecilho para isso é o chamado ‘‘custo Brasil’’.
‘‘Este custo deve ser totalmente revisado, bem como os encargos do setor produtivo, que precisam ser menores, para que os produtos nacionais possam ser competitivos, não apenas na questão da qualidade. Devem ser criadas maneiras - benefícios - para que o setor tenha investimentos. Somente será possível importar menos se conseguirmos garantir competitividade interna, desde qualidade de produtos e preços’’.
Para uma tomada de crescimento, segundo Marossutti, é essencial uma reforma tributária. Com a intenção de conquistar novas fatias do mercado, a Volvo ‘‘volta sua atenção para o cliente, oferecendo produtos com elevado grau de qualidade e altamente desenvolvidos’’, ele diz. Além é claro, afirma Marossutti, de pensar na competitividade para garantir novos investimentos na produção, com aumento de volumes disponíveis no mercado.
A Volvo continua acreditando no mercado brasileiro, diz o diretor. A empresa está fazendo investimentos de US$ 150 a US$ 200 milhões até 1999. Investimentos que estão sendo destinados à melhoria e ampliação de suas instalações e no desenvolvimento de novos produtos.
A empresa está se preparando para ingressar no terceiro milênio com produtos cada vez mais modernos e capazes de atender da melhor forma possível os seus clientes. Dentro desses investimentos, está construindo uma fábrica de cabines para produção no Brasil do caminhão FH 12 Globetrotter, que atualmente é importado. Também está preparada para atender a demanda que a consolidação do Mercosul vai abrir.
O Grupo Volvo, presente em mais de 100 países, possui ações em bolsa de valores, mas a Volvo do Brasil, especificamente, não negocia ações.RAIO X
Setor: Caminhão e ônibus
Faturamento
- em 96: US$ 600 milhões
- Previsão para 97: Não fornecida.
Produção em 96: 14 mil unidades
Funcionários: 1.350

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