VOLUNTARIADO Em busca de uma vida melhor
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 14 de abril de 2008
Diogo Cavazotti<br> Equipe da Folha 
O comportamento humano é um dos fatores que mais preocupa os órgãos de saúde. Segundo a coordenação de saúde mental, álcool e drogas do Ministério da Saúde, a depressão cresce em todo o mundo. Em Curitiba existem projetos sociais que auxiliam os sofredores das atuais conturbações sociais, do caos urbano e das crises de valores.
Rosemari (identificada apenas pelo primeiro nome à pedido da entrevistada) é funcionária pública aposentada e voluntária do Centro de Valorização da Vida (CVV) desde 1990. Ela resolveu participar do programa pois sentiu a necessidade de ajudar alguém. ''O CVV é um aprendizado. Nenhum caso é igual ao outro. Cada pessoa é única'', conta. A voluntária explica que o objetivo do trabalho é entender o sofrimento e a angústia das pessoas. Os atendimentos são feitos por telefone (24h por dia), carta, internet e também pessoalmente (das 7h às 18h), todos os dias da semana.
A voluntária conheceu o trabalho do CVV através da televisão. ''Depois soube que uma amiga também participava do projeto e perguntei como funcionava. Ela disse que o trabalho era maravilhoso. Então me animei para fazer parte'', conta. Rosemari fica quatro horas por semana no CVV. Segundo ela, os voluntários não aconselham nem direcionam as pessoas. ''É um trabalho de utilidade pública. Porém, também recebemos alguns trotes'', reclama. Ela conta que muitas vezes as pessoas ligam apenas para conversar, pois se sentem sozinhas. O objetivo dos voluntários é captar o sentimento das pessoas.
O Centro de Valorização da Vida sempre está à procura de voluntários. Quem se interessar deve entrar em contato com o CVV por telefone ou pela internet. Para prestar o atendimento, os selecionados realizam cursos e estágios. O sigilo das informações é obrigatório. ''Se fico angustiada, converso com outro voluntário sobre isso, mas não sobre a ligação que resultou nesta angústia'', explica Rosemari. Épocas próximas de datas comemorativas, como Natal, Ano Novo e Dia das Mães sempre geram mais procura pelo CVV.
''Depois que se é voluntário mudamos a maneira de pensar. Ficamos diferentes. A minha família notou que houve uma diferença em casa. Este trabalho nos abre a cabeça. Agora vejo as coisas com uma visão diferente'', conta a voluntária. Na casa onde funciona o CVV não existe televisão nem rádio. Toda atenção deve estar voltada ao atendimento. Em uma das paredes, um grande prego alerta que os voluntários não devem levar os problemas para casa. ''Quando chego aqui deixo os meus problemas no prego e, quando vou embora, penduro o que escutei nas ligações para não levar nada embora''. Rosemari diz que as pessoas são educadas para interferir na vida dos outros. Mas no CVV os voluntários deixam cada um tomar as suas decisões, ajudando na própria reflexão.
Os voluntários que já estiveram perante casos de suicídio geralmente ficam um pouco perturbados, já que não podem sair correndo para socorrer a vítima. Este é o único caso que o atendimento pode perguntar se a pessoa precisa de ajuda e, assim, chamar uma ambulância.
Algumas vezes as ligações são provindas de telefones públicos. Pessoas das mais variadas classes sociais e profissões ligam para desabafar. No CVV não existe identificador de chamada e também não é necessário falar o nome. ''Os voluntários não são heróis. Somente auxiliamos as pessoas a refletirem. O CVV, para mim, é uma escola de vida. É uma universidade onde aprendo de tudo'', conclui Rosemari.
SERVIÇO
- O Centro de Valorização da Vida atende pelos telefones 141 e (41) 3342-4111. O site é www.cvv.org.br.


