Muitas vezes, o mais difícil em realizar um trabalho voluntário é dar o primeiro passo. Os interessados não conhecem as instituições que realmente precisam de ajuda e nem sabem o trabalho que poderiam oferecer. Assim, deixam a promessa de ser voluntário para mais tarde. Porém, as informações necessárias para quem pretente ajudar estão ao alcance de todos.
  O Centro de Ação Voluntária (CAV), ONG criada há dez anos em Curitiba, auxilia os interessados em realizar algum trabalho voluntário. Nas segundas-feiras o Centro promove uma palestra sobre o que é ser voluntário. Após a palestra, o CAV oferece uma relação de 225 organizações sociais que precisam de apoio. Em 2007, 2.413 pessoas assistiram as palestras. Os interessados em participar do programa podem obter mais informações no site www.acaovoluntaria.org.br.
  O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) afirma que 7% da população brasileira realiza algum tipo de trabalho voluntário. Destes, a maior parte é do sexo feminino.
  A FOLHA acompanhou o trabalho de cinco voluntários que trabalham em prol de crianças, idosos e animais, em Curitiba. Uma opinião entre eles é unânime: os maiores beneficiados são os próprios voluntários. A psicóloga Jeanine do Rocio Ramos contribui para esta afirmativa e conta que realizar um trabalho para quem precisa, sem receber qualquer remuneração para isso, é muito gratificante. Ela freqüenta a associação Lar Criançarteira, no Fazendinha, há um ano e meio. Lá, Jeanine é a terapeuta das 20 crianças, de três a 13 anos, que moram no lar enquanto esperam a decisão judicial que escolhe o futuro delas. Após problemas familiares, as crianças são deixadas na associação para, após o processo, voltarem para casa ou serem encaminhadas para adoção.
  A psicóloga possui um consultório no Boqueirão, mas três vezes por semana se desloca para o Fazendinha e disponibiliza suas manhãs para as crianças. ‘‘Em 2006 o meu consultório não tinha tanto movimento. Vi na televisão que o lar precisava de terapeutas. Eu já atendia algumas crianças voluntariamente no meu consultório mas resolvi também trabalhar aqui’’, explica. Jeanine diz que ser voluntária é um aprendizado. Existem crianças que já estão no lar há cinco anos e ela consegue acompanhar a evolução desde o início do tratamento. ‘‘Eu sofro pois os processos de adoção demoram muito. Mas fico feliz em verificar a melhora no rendimento escolar após o início do tratamento’’. O telefone do Lar Criançarteira é (41) 3245-0464. Neste momento o lar necessita de fisioterapeutas, fonoaudiólogos e professores.
  O mundo animal também necessita de voluntários. A assessora técnica Fabiana Bertolini Bernert não faz parte de nenhuma ONG mas integra uma rede de voluntárias independentes. O grupo recolhe cachorros abandonados e presta todos os cuidados necessários ao animal, mesmo se estiver doente ou ferido. ‘‘Quando descobrimos que algum cachorro está abandonado trocamos e-mails para ver quem pode socorrê-lo. Eu conheço 35 voluntárias, mas existem mais em toda Curitiba e Região Metropolitana’’, conta Fabiana.
  Segundo Fabiana, as voluntárias fazem o trabalho que é de obrigação da prefeitura. ‘‘Eles deveriam recolher o animal, tratar, castrar e encaminhar para doação. Agora estão comentando que a carrocinha irá voltar. Não vamos deixar isso acontecer’’, alerta.
  A voluntária mora em um apartamento, fato que a impossibilita de ter um animal em casa. Mas ela é a responsável por uma cachorra que fica na casa da tia, ao lado de seu prédio. Todos os dias Fabiana cuida de Chica, nome do cão, encontrada atropelada há alguns meses. Ela ainda toma conta de outro animal que fica hospedado em um hotel até alguém se interessar por adotá-lo. Ela gasta, por mês, cerca de R$ 200 com cada cão que possui no hotel. ‘‘Pago a estadia, a ração, a vacina, a castração e o transporte do animal’’, contabiliza.
  Quando existem casos de maus tratos contra animais, as voluntárias entram em contato com a Sociedade Protetora dos Animais. Fabiana diz que casos de estupro e de cachorros amarrados em linhas de trem estão cada vez mais freqüentes.
  Ela lembra que já tomou conta de ninhadas inteiras de filhotes. Neste momento o grupo procura novos voluntários, pois não consegue dar conta de todos os cachorros abandonados. Quem estiver interessado em participar do grupo pode entrar em contato com a voluntária Fabiana através do email [email protected].
  O estudante de Biologia Rafael Meirelles Sezervan é voluntário da Sociedade de Pesquisa em Vida Selvagem e Educação Ambiental (SPVS). Ele trabalha com o projeto de conservação do papagaio-de-cara-roxa e cumpre uma jornada semanal de quatro horas na sede da SPVS. Desde setembro do ano passado Rafael organiza os dados das pesquisas e envia relatórios do acompanhamento da reprodução dos pássaros durante o ciclo de reprodução. A SPVS cuida de 80 ninhos artificiais nas ilhas Rasa, da Xica e da Gamela, localizadas no litoral paranaense. O papagaio-de-cara-roxa é endêmico da região que vai do extremo sul de São Paulo ao extremo norte de Santa Catarina.
  ‘‘Resolvi começar o trabalho pois queria aprender sobre a conservação ambiental. Não ganho dinheiro mas, além de ajudar, adquiro experiência’’, explica Rafael. Em janeiro deste ano ele acompanhou a equipe da SPVS em um trabalho de campo para medir e contar os pássaros da região, além de verificar o sucesso dos ninhos. ‘‘Passamos o dia na trilha vendo os animais de perto. Foi ótimo’’.

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