VOLUNTARIADO - CIDADÃOS DE BOA VONTADE
PUBLICAÇÃO
sábado, 24 de maio de 2003
Phoenix Finardi<bR>Reportagem Local 
Eles se espalham pelos laboratórios, jardins, bibliotecas e salas de aula da Universidade Estadual de Londrina. Não são servidores nem alunos; não estão interessados em diploma nem salário. São um grupo de 50 pessoas que desde o ano passado fazem parte do Programa de Serviço Voluntário da UEL. O projeto é pioneiro no Brasil e está servindo de modelo para universidades de todo o País.
A idéia da prestação de serviço voluntário nas universidades é antiga e está apoiada numa lei federal de 1998. Na UEL os primeiros voluntários foram cadastrados em 1999: Era um grupo pequeno, menos de uma dúzia de pessoas, lembra Gilberto Hildebrando, pró-reitor de extensão na universidade. Peguei a lei na Internet e comecei a sonhar com isso. Eu tinha uma demanda grande de ex-alunos que queriam continuar atuando em projetos aqui dentro, conta Hildebrando. Foi preciso regulamentar a lei e criar um programa específico para a UEL, que ficou pronto em 2001. No início os voluntários podiam trabalhar apenas nos projetos de extensão mas o Programa foi sendo ampliado e a última modificação, feita agora em março, permite que os voluntários trabalhem em qualquer setor da universidade, inclusive no Hospital Universitário.
É muito fácil participar do Programa. A única exigência é que o voluntário não seja servidor nem aluno da universidade: Não queremos criar expectativa de vínculo empregatício ou pagamento de horas extras, explica Hildebrando. Entre os voluntários há pessoas de todas as idades e situações sociais, desde profissionais com diplomas de pós-graduação até analfabetos. O voluntário pode determinar o dia e o horário em que pode trabalhar e também o setor onde deseja prestar serviço. Depois de acertar os detalhes, é só assinar um termo de adesão, uma espécie de contrato sem prazo determinado e que pode ser rompido pela UEL ou pelo voluntário a qualquer momento.
Apesar de não receber salário, os voluntários têm direito a uma série de benefícios: todos recebem um certificado de participação no programa, têm direito a seguro de vida contra acidentes pessoais, ganham uma carteirinha da biblioteca, podem fazer refeições pelo menor preço de tabela no Restaurante Universitário (R$ 0,70 e ainda têm direito a meia entrada em todos os espetáculos promovidos pela Casa de Cultura.
A expectativa da Coordenação de Extensão à Comunidade (CEC), que cuida do Programa, é aumentar o número de voluntários. O cadastramento está aberto. Quem quiser participar pode falar na CEC (telefone 43 3371-4432) ou telefonar diretamente para o setor onde gostaria de trabalhar. O Programa e o termo de adesão também estão disponíveis na Internet, no site www.cec.uel.br.
Jardineiro doa enxovais para grávidas pobres
O jardineiro Valcuruci Jorge dos Santos, 39 anos, é solteiro e não tem filhos, mas nos últimos 7 anos já ajudou mais de 1.600 gestantes a completar o enxoval dos bebês. Jorge, como é conhecido pelos amigos do Jardim Maracanã (Zona Oeste), onde mora, trabalha para uma empresa que presta serviços para a Prefeitura de Londrina e ganha salário mínimo. Com esse dinheiro ele ajuda a sustentar a mãe e um sobrinho.
Os recursos para comprar fraldas, roupinhas, mamadeiras e até carrinhos Jorge ganha vendendo latinhas de refrigerante, jornais e papéis velhos, que ele recolhe enquanto trabalha. O jardineiro faz milagres e todo mês doa enxovais para cinco ou seis mulheres grávidas.Eu acho que a maravilha da mulher é a gravidez, justifica Jorge, que confessa estar a procura de uma esposa. Está na hora de eu montar o enxoval do meu próprio bebê, né?.
A solidariedade de Jorge já ficou tão conhecida que ele tem uma fila de 80 mulheres grávidas esperando a ajuda dele. Eu gostaria muito que outras pessoas também ajudassem. Quem quiser fazer alguma doação pode entrar em contato com Jorge pelo telefone (43) 9106-3251.
Funcionária e voluntária em projeto social
Patricia Correia, 25 anos, já tinha experiência em trabalho voluntário. Assim que começou a trabalhar na empresa Milênia ela se tornou também professora de inglês no Projeto Formare, uma escola para alunos carentes construída pela empresa e mantida através do trabalho voluntário dos funcionários: É um prazer muito grande ensinar pessoas que não têm condições e ver resultados tão imediatos. Ela conta que os alunos um grupo de 20 adolescentes aprendem rápido e através do inglês acabam se interessando também por outras áreas de conhecimento. É muito bom ver que a gente pode fazer uma diferença na vida das pessoas.
Depois da aposentadoria, mais trabalho
Quando se aposentou, há alguns anos, o advogado Joaquim Silva Neto, 60 anos, planejava descansar, viajar e se divertir. Logo percebeu que isso não ia dar certo: Eu entrei em parafuso, tinha insônia, comecei a ficar doente. A gente acha que o lazer substitui o trabalho mas isso não é verdade. Foi então que Joaquim começou a pensar em prestar algum tipo de serviço voluntário. Ele ofereceu ajuda no Fórum e em vários outros locais mas nada deu certo. No começo deste ano o advogado ficou conhecendo o Programa de Serviço Voluntário da UEL e aderiu imediatamente. Ele trabalha duas horas por dia quatro vezes por semana no Escritório de Aplicação da Universidade. Além de atender pessoas pobres que não podem pagar um advogado, Joaquim orienta um grupo de alunos de direito que fazem estágio no Escritório. Hoje eu me sinto realizado. Estou pagando uma dívida de gratidão para a universidade onde me formei. Entusiasmado com o trabalho, Joaquim faz um convite: Temos mais de cinco mil clientes no escritório. Todos os juízes e advogados aposentados que queiram nos ajudar serão muito bem vindos.
Bolo para as senhoras do asilo
A ex- bancária Sueli Cunha Trindade Silva, 50 anos, tem um hobby diferente: toda vez que a casa e os filhos de 11 e 16 anos dão uma folguinha ela assa um bolo e vai visitar as amigas, um grupo de velhinhas que moram no Lar Maria Tereza Vieira, de Londrina, na Zona Leste da cidade. Faço isso por prazer. Sueli já trabalhou voluntariamente com crianças mas ultimamente tem se dedicado a visitar asilos. Você não precisa levar nada, o que eles querem é carinho e atenção. Chego lá, converso um pouquinho com cada uma. Elas pegam na minha mão, me beijam e pedem para eu voltar logo. E eu sempre volto.
Aulas para adolescentes na própria empresa
Alessandra Nabarro, 28 anos, sempre teve vontade de fazer trabalho voluntário. No ano passado, quando começou a trabalhar na empresa Milenia, apareceu a oportunidade ideal. Alessandra participa do Projeto Formare e dá aulas para um grupo de 20 adolescentes pobres que estudam numa escola construída pela empresa na Zona Norte da cidade. O trabalho superou minhas expectativas. O crescimento é mais nosso do que dos alunos.


