Curitiba- Passado o período de férias, alunos das escolas estaduais e particulares do Paraná voltam às salas de aula tendo que se adaptar a uma nova realidade: deixar de associar o recreio ao consumo de doces e guloseimas. A lei estadual nº 14.423, que começa a vigorar no início do ano letivo, proíbe a comercialização de balas, pirulitos, chicletes, refrigerantes e salgadinhos industrializados nas cantinas das escolas e determina que estes estabelecimentos ofereçam pelo menos dois tipos de frutas aos estudantes. A legislação foi sancionada para tentar evitar, e minimizar, uma situação que já é um problema nacional, a obesidade infantil.
Só em Curitiba, o índice de crianças acima do peso é de 7,4%, num universo de cerca de 100 mil alunos da rede municipal, que estudam desde a pré-escola ao ensino fundamental. Os dados fornecidos pela Secretaria Municipal de Educação são de 2004 e são maiores que os números nacionais, embora a última pesquisa feita em todo o Brasil seja de 1996.
Segundo o professor José Augusto Taddei, chefe da disciplina de nutrilogia do Departamento de Pediatria da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e pesquisador do tema, entre as crianças brasileiras em idade pré-escolar, o índice de obesidade infantil brasileiro há quase dez anos era de 6,0%.
O índice subia de acordo com a idade. Conforme a pesquisa da época, as crianças brasileiras de até cinco anos, tinham um índice de obesidade de 7.8%. Na pré-adolescência, o número aumentava para 10% e na adolescência para 15% entre os meninos e 20% em meninas. ‘‘Não existe uma pesquisa recente sobre o assunto, mas o Ministério da Saúde já está com recursos para levantar novos registros’’, revela Taddei.
Já em Curitiba, existem pesquisas específicas há três anos. Segundo dados da Secretaria Municipal de Educação, em 2002 o índice de obesidade infantil chegou a 7,6%. Em 2003, o índice baixou para 7,2%, mas no ano passado voltou a subir. A gerente de alimentos da Secretaria Municipal de Educação, Sirlei Valaski considera o índice de 7,4% significativo. ‘‘Desde 2002 já temos essa preocupação com o aumento de peso das crianças. O cardápio das escolas municipais atende o Programa Nacional de Alimentação Escolar e oferece frutas, verduras e alimentos cozidos, que dão saciedade por mais tempo’’, argumenta a nutricionista. Isso para tentar ensinar aos alunos que comer bem está longe do consumo exagerado das guloseimas cada vez mais acessível até para as classes mais baixas.

mockup