Se dependesse da opinião dos moradores, comerciantes, empresários, feirantes e taxistas que vivem às voltas da Praça Miguel Couto, ela continuaria do mesmo jeito como está hoje. A comunidade tem medo das consequências que as mudanças podem provocar e argumenta apontando as suas preocupações. Para garantir seus direitos, está se mobilizando. Além da manifestação de amanhã, quando a população dará um abraço simbólico na praça, ela prepara uma Ação Popular para evitar as mudanças.
Alguns moradores temem que o local perca a sua característica como ponto de encontro, outros questionam a segurança dos pedestres ao atravessar uma rua ''dentro'' da praça, outros acham que a rua acabará com o sossego no local e muitos, ainda, defendem a causa dentro de uma visão ''saudosista'', que pretende que a praça continue como sempre foi. Comerciantes, taxistas e feirantes, por sua vez, têm medo que as mudanças afetem seus negócios.
''Sou contra, mas se for para o bem da cidade, nós temos que concordar'', diz o taxista Aldoino Menegheli, que há 19 anos trabalha no ponto de táxi da praça. Os taxistas não gostaram da proposta do Ippuc, que prevê a transferência do ponto para a Carneiro Lobo. ''Ali é um perigo do cão, muito escuro. Sem contar que aqui onde estamos nós damos mais segurança para a banca de jornal e ela para nós'', justifica. Os taxistas propuseram um outro local à prefeitura, do outro lado da rua na mesma Gonçalves Dias.
''Não tinha a necessidade de abrir essa rua, o Ippuc foi intransigente ao dizer que já tem tudo resolvido'', reclama Ingomar Heidorn, que há 30 anos tem a banca de jornais no local. ''Além do desrespeito de quererem nos mudar depois de tanto tempo aqui, tem o lado da tradição da praça'', reforça a filha Liliângela Mendonça Heidorn, que preocupa-se também com uma queda no movimento caso a banca seja transferida para o outro lado da praça, como prevê o projeto do Ippuc.
Já Lilian Frote, dona de uma das duas bancas de flores existentes na praça não sabe se a mudança será positiva ou não para os negócios. A banca já tem 35 anos e pelo projeto permanecerá no mesmo local. ''Não dá para saber se vai ser bom ou ruim'', afirma.
A síndica do prédio Napoleão Sbrovat, que fica colado à praça, conta que já vem lutando pela preservação da pracinha há cerca de dois anos, desde que começaram a falar sobre as mudanças. ''A reunião com prefeitura, dia 15 de maio, foi uma farsa, estava tudo pronto. Nós não podemos fazer mais nada'', diz, lamentando que a prefeitura tenha optado por cortar a praça como solução para o trânsito.
No meio da polêmica sobre a transposição do espaço por uma rua, muitos têm, na ponta da língua, uma sugestão pronta a apresentar para acabar com o congestionamento no local, em contraposição à solução apresentada pela prefeitura. O administrador da Regional Matriz, Omar Akel, garante que todas as alternativas foram estudadas, e adotada a mais viável.
''Temos que levar em conta em primeiro lugar o interesse da maioria. Em segundo, estamos tomando todos os cuidados para que as mudanças tragam mais benefícios do que prejuízos. A região do Batel mudou muito nos últimso anos, e não podemos deixar que essa dinâmica deteriore a qualidade de vida da cidade'', diz. (M.G.)

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